A realidade do transporte público de Belo Horizonte e região metropolitana está longe daquela apontada como ideal para a demanda dos usuários. Para uma locomoção eficaz nos trechos de maior passagem na Grande BH, seriam necessários a construção de monotrilhos, mais BRTs e linhas do metrô.

As soluções são apontadas pela Câmara Temática de Mobilidade Urbana do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG). As intervenções devem se concentrar nos locais onde prevalece o maior número de viagens: Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Barreiro/Ibirité e Contagem/Betim.

O estudo, apresentado ontem, faz também um alerta com relação à importância destas mudanças para o próprio sistema. “Se não houver melhorias, o transporte público dificilmente se sustenta por mais dez anos. O colapso virá com o aumento de viagens e pela queda no financiamento do sistema”, afirmou o cientista político e coordenador da Câmara, Oswaldo Dehon.

A falta de projetos e de consenso dos governos sobre a área são apontados como os grandes entraves para o setor. “Nós temos muitas dificuldades de entrelaçamento de interesses entre as esferas federal, estadual e municipal. E é importante que isso seja resolvido para que o usuário possa voltar a estar no centro do planejamento urbano e de mobilidade”, alegou Dehon.

Gargalos impactam no andamento do sistema. Entre 2002 e 2012, o transporte público na região metropolitana contabilizou perda de 1,6 milhão de viagens, o que representa 13% do total. Usuários migraram para o transporte individual, em especial os carros.

“Isso gera uma série de problemas de circulação, além de um certo descrédito no sistema de transportes. É fundamental resgatar essa confiança para conquistar usuários de todas as classes”, explicou o cientista político.