Funcionários da Rede Minas bloquearam a saída da garagem da emissora, no bairro Sion, região Centro-Sul de BH, no início da tarde desta sexta-feira (2) para que a secretária de Cultura, Eliane Parreiras, não saísse do prédio antes de garantir que mais nenhuma demissão seja feita até a conclusão do concurso público na emissora. Na quinta-feira (1º), o governo anunciou o nome de Julio César de Andrade Miranda, como novo presidente da Fundação TV Minas.
 
Conforme informações de integrantes da comissão de funcionários eleita para reunião com a nova gestão, a secretária garantiu que apenas em agosto nenhuma demissão será feita. Porém, a publicação do edital será feita neste mês. Os funcionários pedem que ninguém seja demitido até que os concursados cheguem. Isso, segundo informaram, implicaria na redução de programas da tradicional emissora, uma das mais importantes vozes da cultura local em atividade.
 
Miranda chega em tempo de crise iniciado depois das 51 demissões que a emissora fez no início do ano. A notícia gerou uma onda de solidariedade pelas redes sociais. Quase 7 mil pessoas aderiram ao perfil "Salve a Rede Minas". Classe artística, telespectadores e até colegas de outras emissoras de Minas Gerais estão no grupo postando fotos de apoio à causa. O apoio pede clareza na transição e que seja discutida a real missão de uma TV pública.
 
Em julho, manifestações em frente da atual sede, no bairro Sion, pediam o mesmo. "Queremos manter a qualidade da programação até o final da transição", defende o diretor do premiado programa de reportagens "Diverso", Leandro Lopes, que é integrante da comissão de funcionários. 
 
Julio Miranda, 57 anos, é belo-horizontino e consultor de estratégia empresarial. Formou-se em Comunicação e Marketing pela Fafih-BH (atual Uni-BH), e tem passagens pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), TV Alterosa e Rádio Guarani.
 
Em nota, divulgada nesta sexta-feira, a Secretaria de Estado de Cultura, confirmou os próximos passos de gestão para a nova Rede Minas, que atendem às determinações do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Estadual. Conforme o texto, em agosto, "a Fundação TV Minas Cultural e Educativa estará concentrada nas definições dos cargos comissionados que compõem a Rede Minas, e não haverá demissões". A nota ainda divulga agendamento de nova reunião com a comissão de funcionários para dia 20 de agosto.
 
Leia entrevista a seguir com o novo presidente:
 
A Rede Minas vai acabar?
Julio Miranda - Para quem vem investindo em um prédio de nove andares, com centro cultural, rádio e TV, esse é um assunto que absolutamente não cabe. Ainda não há planos para mudar a programação, pois a prioridade é a questão administrativa. Esse é o nosso gargalo. Precisamos devolver o clima de tranquilidade.
 
Como o senhor vê as alegações de que, com o corte de programas já consagrados de produção local, a emissora poderá ser "sucateada"?
Não há sucateamento em hipótese alguma. Não existe a ideia de acabar com nada. Na verdade, programas entram e saem, conforme a repercussão. Não há movimento demissionário, nada disso. Só ocorrerá o processo de substituição de mão de obra por aquelas pessoas que passarem aprovadas no concurso. É um processo natural. Após a publicação do edital do concurso, será anunciado o lançamento do edital para a construção da nova sede da emissora, no bairro Barro Preto, ainda neste mês. 
 
E sobre os funcionários?
A oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) onde estão reunidos os funcionários atualmente, vai continuar até o processo de migração pelo concurso.
 
As pessoas que já trabalham na emissora poderão contar com alguma vantagem na pontuação do concurso?
Não haverá essa diferenciação. Tem que ser acessível a todo mundo, em condição de igualdade. Isso é uma questão legal.