Chega de saudade. Após hiato de dois anos e meio, o Mineirão abrirá suas portas no dia 3 de fevereiro para o maior espetáculo de Minas Gerais, o clássico entre Cruzeiro e Atlético. Durante o período em que esteve fechado para reformas, o Estado ficou órfão de um palco que fazia jus ao seu tamanho de seu futebol. A expectativa é que o agora remodelado Gigante da Pampulha seja um propulsor dos clubes mineiros, como foi no passado.

Passado esse que se torna um estímulo para o presente. O término da construção do Gigante da Pampulha, em 1965, foi a redenção para o futebol das alterosas. Antes, quem visitava Minas jogava para 5 mil torcedores. Com o Independência, 18 mil pessoas passaram a acompanhar aos jogos. No Mineirão esse público saltou para 80 mil, aumentando, consequentemente, as rendas dos clubes, o que fez o Estado ganhar destaque no cenário nacional e mudar a geografia do esportiva do país.

A prova disso veio no ano seguinte, quando Mineirão foi palco de uma impiedosa goleada de 6 a 2 aplicada pelo Cruzeiro sobre o Santos, de Pelé, na primeira partida da final da Taça Brasil. No jogo de volta, a Raposa mudaria o cenário esportivo no país ao faturar o caneco, após vitória de 3 a 2 sobre o Peixe. Os clubes mineiros já eram grandes demais para apenas mostrar o bom futebol em âmbito regional. Em 1967, o Torneio Rio-São Paulo, oficialmente batizado de Roberto Gomes Pedrosa, incorpora clubes das alterosas, do Rio Grande do Sul e do Paraná.

A “academia de futebol” do Cruzeiro seguiu mostrando sua força e duelou com os grandes clubes do país, chegando perto da Taça nos quatro anos seguintes. Em Minas, a Raposa era hegemônica e faturou os cinco primeiros títulos da “Era Mineirão”, muito devido ao tripé composto por Tostão, Dirceu Lopes e Piazza.
Em 1970, a história sofreria uma reviravolta. O Atlético, após anos como figurante, volta a ser protagonista, levando o estadual e deixando escapar a taça do Robertão nos últimos jogos. Mas o título nacional não demoraria a vir. No ano seguinte, o Galo dominaria o país sob o comando de Telê Santana. Na mesma temporada, o América levantaria o caneco, feito que só iria repetir 22 anos depois.

O Cruzeiro voltou a dominar o estado no ano seguinte e assim seguiu até 1976, quando viu o Atlético retomar o caneco. Porém, nem tudo eram lamentações. Naquele ano, o time estrelado trouxe o primeiro título continental para Minas, ao superar o River Plate. Na partida de ida da final, no Mineirão, uma sonora goleada de 4 a 1, sobre o time argentino. O troféu viria no terceiro jogo.

O Atlético não deixou por menos e, apesar de perder o Mineiro de 1977, montou naquela temporada um time que não sai da memória dos torcedores. Pena que por uma daquelas peças do destino, coube aquele time o fardo de ser vice-campeão brasileiro invicto. Serve de consolo que nos 13 campeonatos estaduais seguintes, dez foram parar na sala de troféus de Lourdes, sendo que seis deles foram em sequência, superando o penta do Cruzeiro nos anos 60.

Se nos anos 80 o torcedor estrelado teve de se contentar com a supremacia do rival, na década seguinte o panorama mudou. Em 1990, o Cruzeiro iniciou uma fase mágica de conquistas anuais, que só foi quebrada em 2005. Foram 15 anos consecutivos de pelo menos um troféu indo para a Toca da Raposa, sendo que entre eles estavam quatro Copas do Brasil, um Brasileiro, duas Supercopas, duas Sul-Minas e uma Libertadores. O atleticano, por sua vez, viu o clube conquistar apenas quatro estaduais e duas Copa Conmebol, enquanto o americano viu dois mineiros, uma Copa Sul-Minas e um Brasileiro da Série B.

E parou por aí. Há dez anos, o futebol mineiro não vê uma conquista de um grande torneio. A esperança é que a reinauguração do Gigante da Pampulha traga de volta os títulos ao Estado. Remodelado, o estádio permitirá a exploração comercial por parte de clubes. Essa renda extra pode ser o diferencial para Minas voltar a ser um dos polos do futebol brasileiro. Não se sabe se os dirigentes dos clubes mineiros irão explorar bem essa nova perspectiva. O que se tem certeza é que o estádio enriquecerá o orgulho do povo mineiro, que agora possui um dos mais modernos palcos esportivos do mundo.