Pacientes de 576 cidades mineiras estão na fila das cirurgias eletivas em Belo Horizonte. Ao todo, são 33 mil pessoas aguardando pelas operações no Sistema Único de Saúde (SUS), número que se acumulou durante a pandemia, após a suspensão dos procedimentos. Com os índices que monitoram a Covid-19 em ritmo de queda, a capital autorizou a retomada gradual das intervenções.

Em BH, as principais demandas são nas áreas da otorrinolaringologia, ginecologia e cirurgias gerais. Ao todo, 35% dos doentes não moram na metrópole. Isso ocorre porque a cidade é considerada centro de referência para o tratamento de várias enfermidades.

Desses indivíduos, grande parte vem de Ribeirão das Neves, Contagem e Betim, na região metropolitana. “Belo Horizonte atende através de pactuação com uma rede de municípios. Dessa fila, temos uma parte de pacientes que vem do interior e os outros são moradores da cidade”, disse o gerente de Regulação do Acesso Hospitalar da prefeitura, André Menezes.

Desde julho, a Secretaria Municipal de Saúde vem fazendo a retomada gradual dos procedimentos cirúrgicos eletivos em estabelecimentos de saúde contratados ao SUS/BH, condicionada à aplicação dos critérios dispostos em resolução estadual, ao monitoramento dos estoques de medicamentos e à ocupação dos leitos, de forma que possam ser rapidamente revertidos para atendimento ao coronavírus, se necessário.

Atualmente, a taxa de ocupação das terapias intensivas da rede pública de BH é de 82,9%. No caso das UTIs Covid, o número é de 48,2% e permanece no nível verde, de menor atenção. Em março, essas vagas exclusivas até esgotaram.

Apesar da liberação, o gerente lembra que a pandemia não acabou e o cenário pode mudar a qualquer momento, principalmente com a ascensão da mutação indiana da Covid em Minas. “Ainda não estamos em uma situação confortável. Os números mostram uma queda, mas temos a variante Delta.

A aposentada Maria Soares Fonseca, de 74 anos, moradora de Belo Horizonte, aguarda desde fevereiro por uma cirurgia de vesícula. Com fortes dores, que a impedem de fazer atividades básicas e até se abaixar, ela precisa se medicar diariamente. 

“Estou aguardando me chamarem. Na consulta, me falaram que eu precisava operar. Depois, não disseram mais nada, só que estou na fila”, revelou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que a responsabilidade pela gestão das filas, priorização e agendamentos dos procedimentos é das prefeituras, já que os pedidos não são encaminhados à SES para regulação e agendamento.

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