Oito de julho de 2012. Oitava rodada do Campeonato Brasileiro. Contra a Portuguesa, o Atlético promovia a estreia daquele que se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube. Contratado junto ao Grêmio, ainda na gestão de Alexandre Kalil, o goleiro Victor dava ali os primeiros passos pelo Alvinegro.

Seguras nas luvas do novo arqueiro do Galo, que tinha a missão de encerrar um ciclo de insucessos do clube na posição, estavam também as mãos de uma garotinha, na época com sete anos. Visivelmente encantada com a aquele momento, Brunna Adrielly se destacava em meio aos outros 'mascotinhos' que entravam em campo naquela noite de domingo.

Com sua camisa vermelha, faixinha no cabelo e sorriso de quem vivia ali um sonho, a pequena atleticana era a primeira menina a acompanhar o novo dono da Camisa 1 até o centro do gramado. Incentivada pela avó, dona Fátima, Brunna parecia já saber que, num futuro breve, aquele grandalhão de 1,93m se tornaria "Santo" para toda a Massa.

"Naquela época, eu tinha uns seis para sete anos. Comecei a seguir o Atlético por causa da minha avó. Ela é uma fanática que eu sempre achei incrível. Desde os meus cinco aninhos, ela me vestia com o manto e me fazia torcer pelo clube na televisão.  Eu não entendia muito bem, mas já sentia uma emoção muito grande e diferente. Desde a primeira vez que eu entrei em campo, fui me apaixonado por aquilo. Eu criei uma paixão imensa pelo Victor e já sentia que ele seria meu ídolo.

Minha madrinha, Terezinha, sempre me acompanhava às minhas idas ao campo. Eu sentia emoção imensa dentro do peito", contra Brunna ao Hoje em Dia. Em agosto, ela completa 17 anos.

"Até hoje eu acompanho e sou completamente apaixonada pelo Atlético; dou meu sangue se preciso for pelo clube. Me sinto muito lisonjeada por ter sido a primeira garota a ter entrado em campo com o Victor. Ele é uma pessoa incrível na minha vida. Meu namorado é goleiro e eu faço questão de apoiá-lo também. Sempre que eu entrava em campo, eu pedia para entrar com o Victor. Quando não dava, eu entrava com o Danilinho. Eram os dois que eu mais gostava naquele time", acrescenta.

Residindo atualmente em Diamantina, onde ajuda a mãe na empresa de recreação infantil, Brunna segue acompanhando o ídolo e o clube de coração. Se não fosse a pandemia, inclusive, ela estaria presente ao Mineirão para dar adeus ao goleiro. Segundo ela, todos os esforços seriam feitos para, mais uma vez, estar em campo, segurando as mãos que se acostumaram a levantar importantes canecos pelo Atlético e a fazer rotineiros milagres.

Daquele 8 de julho até este 28 de fevereiro, foram 423 partidas realizadas por ele. Natural da pequena Santo Anastácio, no interior de São Paulo, Victor fez de Belo Horizonte sua casa. Aos 38 anos, ele se despede do futebol com a certeza de dever cumprido. Cidadão Honorário da capital mineira, ele seguirá escrevendo sua história, porém, fora das quatro linhas.

Brunna, por sua vez, seguirá sendo fã e eterna apaixonada por Victor e pelo Atlético. Do jeitinho que aprendeu com dona Fátima.