Existe toda uma cronologia até a canonização e também a despedida, marcada para este domingo (28), às 18h15, no Mineirão, contra a URT, pela primeira rodada do Campeonato Mineiro.

O marco-zero dessa saga é o dia 29 de junho de 2012. Em um misto de brincadeira e alfinetada, Alexandre Kalil, então presidente do Atlético e um dos responsáveis pela contratação daquele que mudaria para sempre a história alvinegra, provocou a Massa no Twitter: "Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro, não é mais. Victor é do Galo".

Kalil tinha fé de que ali acabariam as dores de cabeça acumuladas após fracassos na contratação de um jogador ideal para ocupar o lugar debaixo das traves atleticanas. O que talvez não soubesse é que aquela seria, sim, a maior contratação de sua trajetória como presidente do Galo. E que menos de um ano depois, estaria ele no Horto, chorando lágrimas de alegria e endossando o coro de uma Massa ensandecida, indo à loucura, e gritando a plenos pulmões: ‘p*** que p****, é o melhor goleiro do Brasil: Victor”.

Atlético

A fé de Kalil e companhia ganharia nova conotação em 30 de maio de 2013, quando o maior carrasco do Atlético (o azar) dava indícios de que venceria outra batalha em cima de seu “arquirrival”. A sina que o clube carregava por quase 42 anos emergiu no Independência, aos 46 minutos do segundo tempo do duelo com o Tijuana. A falta de Leo Silva em cima de Marquez dentro da área provocou um silêncio ensurdecedor no Independência.

Há quem diga até hoje que alguém conjurou maus espíritos para fazer o Galo cair no Horto. E morrer ali a esperança de uma nação. Mas a tradição também indicava algo que os alvinegros se recordaram naquele dia: de que tudo na vida do Atlético é sofrido (e o prêmio, elevado à enésima potência). A prova disso era a catarse que viria a seguir, no momento em que Victor, já aos 48 minutos, não apenas bloqueava, com o pé esquerdo, o chute de Riascos como também chutava para longe toda uma maldição.

A canonização de ‘são Victor do Horto’ devolveu aos torcedores o direito de sonhar, ratificado contra Newell’s Old Boys e Olimpia na mesma Libertadores e em tantas outras ocasiões ao longo dos 423 jogos que tiveram o santo como goleiro alvinegro.

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Neste domingo, o homem/santo vai encerrar sua trajetória pelo Atlético, sendo, para muitos, o maior ídolo da história do clube. Uma série de homenagens está prevista para o confronto no Mineirão, palco das voltas olímpicas de títulos como os da Libertadores de 2013 e da Copa do Brasil de 2014.

Por conta da pandemia, infelizmente o Gigante da Pampulha não estará tomado pela Massa para conferir in loco o último ato daquele que deu à camisa 1 um sentido tão importante quando o da camisa 9 ou 10. Se for pensar bem, Victor era, muitas vezes, o 10 ou o 9 do Galo. O jeito então será acompanhar de longe, pelo rádio, pela TV, pela internet...

Independentemente do placar deste domingo, a única certeza é que Victor vai disputar a partida como se fosse uma final de Libertadores (ou um confronto de quartas de final). O maior legado: o de sempre acreditar, atestado em uma narração que se iniciou com “Partiu Riascos para a bola” e terminou com um milagre.

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ATLÉTICO X URT
Data:
28 de fevereiro de 2021 (domingo)
Horário: 18h15
Local: Mineirão
Cidade: Belo Horizonte
Motivo: 1ª rodada do Campeonato Mineiro

ATLÉTICO
Victor; Mariano, Gabriel, Igor Rabello e Dodô; Dylan Borrero, Calebe e Zaracho; Diego Tardelli, Sávio e Marrony
Técnico: Lucas Gonçalves

URT
Renan Rinaldi; Kellyton, Davy, Donato e Pedro Rosa; João Paulo, Jean Carlos e Leílson; João Diogo, Paulo Renê e Savio (Léo Aquino)
Técnico: Wellington Fajardo