Após meses de um imbróglio judicial, Cruzeiro e o lateral-esquerdo Dodô chegaram a um acordo e encerraram um vínculo que se mostrou frustrante dentro e fora de campo para a Raposa.

As partes entraram em um consenso e o jogador vai receber R$15 milhões referentes à rescisão contratual e ao FGTS.

O montante vai ser dividido em 60 parcelas de R$250 mil, que começarão a ser quitadas a partir de janeiro de 2022.

Caso o clube estrelado atrase o pagamento, a decisão prevê a antecipação de todas as prestações em aberto, multa de 10% sobre o saldo devedor, mais o acréscimo de 1% de juros ao mês.

Com o acordo, Dodô encerra oficialmente o vínculo com o Cruzeiro e está livre no mercado para acertar com outra equipe.

A informação sobre o acordo entre Dodô e o Cruzeiro foi publicada inicialmente pelo Superesportes e confirmada pelo Hoje em Dia

Justiça

Em março, o jogador acionou o Cruzeiro na Justiça do Trabalho, pedindo a reativação do contrato até 2023, o que havia sido previsto no momento em que foi contratado por empréstimo junto à Sampdoria, da Itália, em janeiro de 2019.

No contrato em questão, ficou estipulado que, caso Dodô completasse três jogos pelo Cruzeiro, ou se a equipe celeste conquistasse 15 pontos no Brasileirão, a Raposa seria obrigada a adquirir o jogador em definitivo.

Nesse caso, o novo vínculo valeria de  janeiro de 2020 a dezembro 2023.

Na ocasião, as tratativas foram conduzidas principalmente por Itair Machado, vice-presidente de futebol do Cruzeiro durante a maior parte do mandato do ex-presidente Wagner Pires de Sá, que renunciou ao cargo em dezembro.

No início do ano, o lateral se reapresentou na Toca II, mas a renovação, que ainda daria R$8,8 milhões de luvas ao atleta, não foi efetivada.

Além da questão da renovação, o fato de Dodô receber salários acima do teto  de R$150 mil estipulado pelo Conselho Gestor, que administrava o Cruzeiro na época, inviabilizou a permanência do defensor para esta temporada.

O Conselho Gestor e a atual diretoria, liderada pelo presidente Sérgio Santos Rodrigues, alegaram que as cláusulas que previam a renovação foram elaboradas com má fé, o que fez com que o imbróglio perdurasse na Justiça do Trabalho.

Frustração

O fim da disputa judicial põe fim a um "casamento" que começou com grandes expectativas, não concretizadas em campo.

Após semanas de negociação, o lateral chegou à Toca da Raposa II credenciado pela boa temporada pelo Santos no ano anterior, para brigar pela posição de titular com Egídio.

Na apresentação do jogador, Itair Machado enalteceu a contratação, já destacando a iminência de um vínculo a longo prazo.

“O pai dele esteve aqui em Belo Horizonte há vários meses. Ele gosta muito do Cruzeiro. Apresentamos um projeto de carreira ao jogador. O jogador é novo, o Cruzeiro está atrás de títulos não só esse ano, como nos anos subsequentes, que requer um trabalho bem preparado. Isso pesou muito”, disse Itair, na ocasião.

Entretanto, durante todo o período em que esteve à disposição do time celeste, Dodô não conseguiu se firmar.

Nem mesmo a má fase do time na temporada e o baixo rendimento de Egídio o fizeram ter uma grande sequência entre os titulares.

O jogador atuou na derrota para o Palmeiras, na última rodada do Brasileirão, que sacramentou o rebaixamento da equipe celeste à Série B, mas apenas porque o então titular estava suspenso.

Pela Raposa, Dodô, que não entrou em campo em 2020, disputou 28 jogos, marcou um gol e conquistou o título do Campeonato Mineiro de 2019.

Cruzeiro comemora economia

Em comunicado divulgado na tarde desta sexta-feira (11), o Cruzeiro celebrou a economia gerada a partir do acordo com o jogador.

Segundo o clube estrelado, a disputa entre atleta e o clube envolvia um risco de R$ 40 milhões, já incluídas as dívidas existentes, que giravam em torno de R$ 13 milhões.

Ainda de acordo com a Raposa, caso a renovação automática fosse concretizada, o novo vínculo custaria R$27 milhões para os cofres celeste, a partir dos R$550 mil de salário que Dodô receberia.

Com isso, o Cruzeiro destacou ainda a queda desses R$27 milhões para R$2 milhões, que somados aos R$13 milhões correspondentes à débitos anteriores da instituição com o lateral, constituem o valor final que será a Raposa vai desembolsar no caso.