Antes do início da Série B do Brasileiro, o ex-técnico do Cruzeiro Adilson Batista cravou que o time subiria “com um pé nas costas”. Mal imaginaria ele – e milhões de torcedores –  que a realidade da Raposa estaria mais próxima do discurso recente do atacante William Pottker: “Se analisar todo o contexto, eu tenho que dizer que o Cruzeiro não vai conseguir subir”. Nesta quarta-feira (2), às 21h30, os azuis entram em campo em um jogo que, mesmo antes de começar, já se faz emblemático.

Adversário da vez, o América é o reflexo das ambições celestes que, na prática, não se concretizaram (ou estão de longe de tal). Em suma, o alviverde vem fazendo o que Cruzeiro ansiava, mas não conseguiu em 2020.

Além de acumular fracassos no Mineiro – sequer avançou às semifinais – e na Copa do Brasil – caiu na terceira fase para o CRB –, a Raposa ocupa a 16ª colocação na Segundona, com 28 pontos. Com Felipão, o time afastou – mas não eliminou – o pesadelo de ser rebaixado para a Série C, porém mostra, até agora, não ter a força necessária para subir.

O Coelho é a antítese vivida na Toca. Apesar de não ter figurado na final do Estadual – perdeu para o Atlético nas semi –, vem fazendo a festa de seus torcedores. Reproduzindo em campo o estilo guerreiro e irreverente do comandante Lisca, chegando a aprontar para cima de gigantes como Inter e Corinthians, o América se tornou a sensação da Copa do Brasil, obtendo uma histórica vaga nas semifinais, o que também rendeu ao clube mais de R$ 10 milhões de premiações.

É também a primeira agremiação de uma Segunda Divisão que disputa uma semifinal desde 2009 (quando o Vasco ficou entre os quatro do torneio mata-mata)

Na Série B, o alviverde, também vem fazendo uma belíssima campanha. A três pontos da líder Chapecoense, ocupa o segundo lugar, com 44, e chega como favorito para o clássico desta quarta – no turno, aliás, venceu os celestes por 2 a 1, no Mineirão. Tudo isso com um orçamento bem menor que o do Cruzeiro. Embora não sejam números oficiais, especula-se que a folha salarial da equipe estrelada é dez vezes maior que a da americana.

As campanhas e os fatos ocorridos nesta temporada são o suficiente para prever um clássico marcante nesta quarta-feira, onde de um lado estará o Cruzeiro e do outro o América, que, este sim, vem fazendo uma campanha positiva com “um pé nas costas”.

Clássico

Lisca foi pretendido pelo Cruzeiro, que acabou acertando com Felipão

AMÉRICA X CRUZEIRO
Data:
2/12/2020 (quarta-feira)
Horário: 21h30
Motivo: 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro
Estádio: Independência
Cidade: Belo Horizonte
Arbitragem: Dewson Fernando Freitas da Silva, auxiliado por Marcio Gleidson Correia Dias e Helcio Araujo Neves, todos paraenses
Transmissão: Globo, SporTV e Premiere

AMÉRICA
Matheus Cavichioli; Daniel Borges (Diego Ferreira), Messias, Anderson e João Paulo; Flávio (Sabino), Juninho e Alê; Ademir, Rodolfo e Felipe Azevedo
Técnico: Lisca 

CRUZEIRO
Fábio; Cáceres, Manoel, Ramon e Matheus Pereira (Patrick Brey); Adriano (Cacá), Jadsom Silva e Régis; Airton, Rafael Sóbis e William Pottker
Técnico: Felipão