Em meio à maior crise institucional, financeira e técnica de seus quase 100 anos de história, o Cruzeiro teve mais uma péssima notícia nesta quinta-feira (8).

A Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut), órgão que fiscaliza o cumprimento das regras estabelecidas pelo Profut, confirmou a exclusão definitiva do clube estrelado do programa de refinanciamento de dívidas fiscais do governo federal.

A informação sobre a exclusão do Cruzeiro do Profut foi publicada inicialmente pelo ge.globo e confirmada pelo Hoje em Dia junto à Raposa. 

Em fevereiro, a Raposa havia sido banida do Profut, por não ter cumprido as exigências determinadas pelo órgão para a participação no programa, entre elas, o não pagamento de parcelas do financiamento, nem de impostos correntes.

Na época, então comandado pelo Conselho Gestor, o Cruzeiro recorreu da decisão, alegando que a inadimplência foi de responsabilidade da antiga administração, encabeçada pelo ex-presidente Wagner Pires de Sá, que renunciou ao cargo em dezembro do ano passado.

Apesar do apelo da atual gestão celeste, agora nas mãos do presidente Sérgio Rodrigues, que argumentou que o clube estrelado atualmente é administrada com responsabilidade, a Apfut manteve a decisão pela exclusão.

Como a decisão foi tomada pela última instância do órgão, não cabe mais qualquer tipo de recurso que possa reverter o quadro, conforme prevê as regras estabelecidas no Profut.

Por meio de nota, o Cruzeiro confirmou a exclusão do Profut, admitindo que o clube não cumpriu com os requisitos determinados para a participação no programa. No texto, o clube estrelado afirma ainda que segue tentando reverter a exclusão junto ao governo federal.

Confira a íntegra da nota enviada pelo Cruzeiro sobre a exclusão do Profut: 

" Confirmamos que a APFUT decidiu por placar apertado (6x4), em assembleia no dia de hoje, manter a decisão que remete à Secretaria da Fazenda a comunicação que o Cruzeiro se mantém excluído do PROFUT, por não cumprir os requisitos e metas estipulados. O Cruzeiro, inclusive, confirma que nunca cumpriu os requisitos, de 2015 a 2019, período analisado no julgamento.

Ainda sobre a decisão, mesmo que fosse positiva, não mudaria em nada a situação jurídica ou implicaria na volta do Clube ao PROFUT, já que nos encontramos excluídos por decisão da Receita Federal, o que é objeto de ação judicial. Essa decisão versa sobre os anos de 2015 a 2019.

Mesmo lamentando a decisão, porque acreditava que a nova realidade pudesse permitir uma segunda chance e entendendo que a mesma não versa sobre a atual gestão, o Clube continuará trabalhando firme para a reinclusão no PROFUT e também permanecerá em negociações com a Fazenda Nacional para a resolução das suas dívidas".

Impacto

Na prática, a exclusão do Profut aumenta ainda mais o caos financeiro que o Cruzeiro atravessa. Isso, porque, sem a possibilidade de renegociar e parcelar as dívidas fiscais, a execução desse débito passa a ser a curto prazo.

De acordo com o último balanço divulgado pela Raposa, correspondente aos cinco primeiros meses de 2020, o déficit do clube é de mais de R$954,6 milhões.

A impossibilidade de parcelar esse débito fiscal ainda pode provocar uma série de bloqueios e penhoras ao clube, dificultando ainda mais a administração da instituição, sobretudo o fluxo de caixa para arcar com as despesas do futebol.