Numa live no canal FutClass, Sérgio Santos Rodrigues, que na próxima segunda-feira (1) assume oficialmente a presidência do Cruzeiro, revelou que a Toca da Raposa I passará a ter o nome Felício Brandi, que presidiu o clube entre 1961 e 1981. O dirigente foi o responsável pela compra e doação do terreno.
O ato de Sérgio, muito mais que fazer justiça ao maior presidente da história cruzeirense, é a concretização de uma decisão do Conselho Deliberativo do clube, ainda no segundo mandato de Gilvan de Pinho Tavares, que nunca foi cumprida pelos mandatários da Raposa.

Toca da Raposa IEm abril de 2015, por sugestão de Aniso Ciscotto, o Conselho Deliberativo do Cruzeiro aprovou que a Toca I passasse a chamar Felício Brandi, mas Gilvan de Pinho Tavares e Wagner Pires de Sá não promoveram a homenagem, que agora será feita por Sérgio Santos Rodrigues, que assume o clube na próxima segunda-feira

“Em 2015 ou 2016, numa reunião do Conselho, o Anísio Ciscotto pediu a palavra e colocou em votação a homenagem ao meu pai, dando o nome de Felício Brandi à Toca I. E isso foi aprovado por unanimidade”, revela Rafael Brandi, filho de Felício e conselheiro do Cruzeiro.

“Em abril de 2015, quando teve a aprovação das contas de 2014, fiz a sugestão, que foi aprovada por unanimidade. Consta em ata. Tivemos duas gestões e elas acataram a decisão do Conselho, Acho que o Sérgio tem muito valor por fazer cumprir essa determinação dos conselheiros. Estará fazendo Justiça ao Felício. O Sérgio é muito sensível a essas questões históricas do clube, e isso é importante. Está de parabéns”, afirma Aníscio Ciscotto, conselheiro nato do Cruzeiro e integrante do Conselho Gestor que encerra nesta semana sua passagem pelo comando do clube.

História

A compra do terreno da Toca da Raposa é apenas mais uma das grandes histórias de amor ao Cruzeiro que teve Felício Brandi como personagem principal. “O médico do meu avô materno tinha um sítio para vender. Meus pais ainda eram noivos e foram ver a área. Minha mãe imaginava ali uma casa de campo, futuro lugar para os filhos brincarem. Meu pai já imaginava ali um centro de treinamento e concentração para o Cruzeiro. Isso porque ele levava o time para concentrar afastado, numa chácara que minha avó tinha, em Venda Nova. Lá tinha até um campo de futebol. E assim nasceu a Toca da Raposa”, conta Rafael Brandi.

“Toda essa história vai vestar num livro. O Pedro Blank, que escreveu a biografia do Dirceu Lopes (O Príncipe), está contando a trajetória do meu pai no Cruzeiro. Em breve, teremos a obra pronta”, revela Rafael.

Granja Comary

De toda forma, a Toca da Raposa faz parte da história do futebol brasileiro. E foi o incentivo para a Confederação Brasileira de Futebol construir, em Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, a Granja Comary, que é o centro de treinamento da Seleção.

“Em 1982, na preparação para a Copa do Mundo da Espanha, a Seleção, do Telê Santana, ficou concentrada e treinando na Toca. Os jogadores, dirigentes, ficaram impressionados com a estrutura. Aquilo não existia em nenhum outro clube brasileiro. A Seleção voltou em 1986, mas entre as duas Copas já tinha surgido a ideia de fazer algo parecido em Treresópolis. É a Granja Comary (foi inaugurada em 31 de janeiro de 1987”, afirma Rafael Brandi.

Responsável por mudar a história do Cruzeiro, sendo um dos pontos principais para isso a compra e doação ao clube do terreno onde hoje está a Toca da Raposa I, que serve de centro de treinamentos para as categorias de base, Felício Brandi terá enfim a justa homenagem.