A pandemia de coronavírus vem atingindo todos os setores da sociedade nas últimas semanas. No Brasil, o número de casos - confirmados, ou ainda em suspeita - teve grande aumento na última semana e vem fazendo com que as autoridades tomem medidas para tentar retardar a disseminação do vírus.

No caso do futebol, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Mineira de Futebol (FMF) determinaram a suspensão das competições chanceladas por elas.

Antes da interrupção, a FMF decretou que a nona rodada do Campeonato Mineiro, disputada no último fim de semana, fosse realizada com os estádios com portões fechados. Tal situação obviamente refletiu na receita das equipes mandantes dos confrontos. Uma delas, em especial, lamentou bastante a situação. Em um duelo que despertava grande interesse do público, em função da estreia do técnico Jorge Sampaoli no Atlético, o Villa Nova teve que receber o Galo, no último sábado, sem torcedores nas arquibancadas do estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima.

Além da condição delicada na tabela de classificação, em que ocupa a vice-lanterna, com apenas quatro pontos, o Leão, assim como a maioria das equipes do interior, conta com a renda das grandes partidas para auxiliar diretamente no equilíbrio das finanças. Diante da perda desses recursos no duelo com o Galo - vencido pelo alvinegro por 3 a 1 -, o diretor de finanças do Villa, Leandro Oliveira lamentou muito o prejúizo, 

"Somente de vendas antecipadas de ingressos, o Villa deixou de arrecadar R$ 68.350,00. Ainda haveria em torno de 1.500 ingressos para venda, o que representaria cerca de R$ 30 mil. Tivemos um déficit com relação a arbitragem, pois os clubes são obrigados a fazer o pagamento antecipado, em torno de R$ 16 mil. Fora os prejuízos a terceiros, com os responsáveis pela vendas de comidas e bebidas no Estádio", destacou Oliveira.

Villa Nova x Atlético 2020

O dirigente também afirmou que a partida contra o Atlético seria a mair rentável financeiramente para o clube em décadas. "Com a estreia do técnico Sampaoli pelo Atlético, esse sem dúvida seria o jogo com maior presença de público e renda do Villa desde a final do Mineiro de 1997. Fora toda a logística de reuniões de mobilização com segurança para o confronto etc. O prejuízo foi no mínimo de R$ 100 mil", relatou.

Federação Mineira de Futebol

Temendo esse prejúizo, alguns clubes, inclusive o Villa, pediram à FMF que adiasse os confrontos da nona rodada do Estadual, mas não foram atendidos pela entidade. Questionada pela reportagem sobre o tema, a federação afirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, que tomou as medidas de acordo com as orientações do Ministério da Saúde.

Sobre o possível adiamento do jogo ou outra medida que pudesse ter sido tomada pela FMF, o diretor financeiro do Villa mostrou cautela, evitando apontar culpados pela situação. "A vida está em primeiro lugar sempre. Sempre devemos preservar a vida e a segurança das pessoas", afirmou. 

Confira a nota enviada pela FMF ao Hoje em Dia. 

"O pedido dos clubes foi feito em um momento em que não havia uma diretriz da CBF e de autoridades sanitárias para que os eventos fossem efetivamente suspensos. optamos por realizar partidas de portões fechados para evitar grandes aglomerações nos estádios. Durante a realização da 9ª rodada, a CBF, após diversas conversas com o Ministério da Saúde, considerando o quadro de crescimento dos casos de pessoas infectadas pelo coronavírus no país, emitiu comunicado suspendendo todos os campeonatos nacionais. Imediatamente, a FMF se posicionou e decidiu seguir pelo mesmo caminho. Todas as medidas são tomadas com a cautela necessária, apoiadas nas informações de especialistas em saúde pública e visando o melhor para o futebol mineirp - clubes, torcidas e demais envolvidos".