Em meio à permanência de referências como Fábio e Léo, num ano em que o Cruzeiro aposta nos garotos oriundos da base para se reerguer, um jovem defensor, no auge de seus 20 anos, é peça fundamental neste novo momento da Raposa.

Com personalidade, Cacá foi um dos poucos que se salvaram no pior ano da história do clube e inicia 2020 como crucial para o time mais uma vez.

Em entrevista ao Hoje em Dia, o jogador comentou sobre sua trajetória no Cruzeiro, quase interrompida por um episódio extracampo no começo do ano passado. 

Como você está vendo esse momento de reconstrução do Cruzeiro?
Estou vendo uma evolução muito boa da garotada, dos meninos que subiram para o profissional. Eles subiram com um compromisso muito grande e a responsabilidade de representar o Cruzeiro, um clube gigante. Os meninos estão dando conta do recado. Vai ser um ano de muitas vitórias, se Deus quiser. O Adilson é um cara que cobra bastante, e isso nos ajuda muito. Estou vendo um brilho nos olhos dos meninos que subiram, com vontade de querer vencer.

Como é, mesmo tão novo, ser uma das referências do time para esta temporada?
Encaro isso como mais uma oportunidade. Desde o dia em que subi para o profissional, sempre lutei e me dediquei no dia a dia para agarrar a oportunidade, fosse num momento ruim ou bom do clube. Os meninos hoje me respeitam como se eu fosse um dos medalhões. Fico muito feliz por isso, por ter jogado com a maioria. Eles estão subindo, e eu já estou há dois anos (no time principal). Eles sempre estão me pedindo dicas, e eu também procuro passar algumas coisas que aprendi.

Cruzeiro

Qual é a importância da permanência do Léo para você?
O Léo é um ídolo, uma referência. Quem conhece o Léo sabe do grande profissional que ele é, dentro e fora de campo. Ele, Fábio e Edílson, os mais experientes que permaneceram, são peças muito importantes para essa reconstrução. Um ídolo como o Léo, um cara batalhador, está sempre procurando o melhor para nós, meninos, e sempre nos cobrando. Acho muito bacana de ver isso. É muito importante para minha carreira ter uma referência como o Léo logo neste início de minha trajetória no futebol. 

Onde esse time do Cruzeiro pode chegar no Campeonato Mineiro?
A gente sabe que o Cruzeiro, em qualquer competição, está sempre lutando pelo topo. Mesmo com um elenco novo, podem preparar que vamos dar a vida, vamos dar trabalho. Vamos chegar longe, estamos visando o título. É uma equipe nova, que tem que trabalhar muito ainda e se entrosar um pouco mais. Mas é um time de bastante qualidade. Vamos ‘para dentro’ de qualquer equipe, independentemente das dificuldades. Estamos juntos para poder defender o Cruzeiro.

No seu modo de ver, o que foi preponderante para o rebaixamento do Cruzeiro?
Vários pecados. A gente viu que não estava faltando garra, mas a bola não entrava, era difícil, e as coisas não estavam correndo muito bem dentro do clube. A equipe estava fechada, tentando fazer o melhor para o clube. A gente tinha que correr atrás, porque, querendo ou não, o rebaixamento do clube queima o nome de todo mundo que está no elenco, e ninguém quer isso para a carreira. Tentamos evitar a queda, mas infelizmente aconteceu.

Mesmo com o rebaixamento, você terminou o ano passado em alta e valorizado. Como é o assédio dos outros clubes em torno do seu futebol?
Até agora não chegou nada para mim. Vi apenas uma reportagem falando do interesse do Athletico-PR, mas até mim não chegou nada; nem de fora, nem do Brasil. No momento, como deixei bem claro nas minhas redes sociais, estou focado no Cruzeiro. Já que entrei com o clube nesse momento difícil, também quero sair desse momento com ele. Meu foco total neste ano é no Cruzeiro, é no objetivo de tirar o Cruzeiro dessa situação. Nada mais. 

Cruzeiro

Você cogitou acionar o Cruzeiro em algum momento para tentar a rescisão do contrato?
Em momento algum. Aconteceram certas coisas dentro do clube com quem estava no comando, que começaram a dar errado, mas em momento algum pensei em jogar o Cruzeiro na Justiça. Sempre tive o pensamento de que caí com o clube, então vou me levantar com ele. Meu pensamento foi sempre querer ajudar o Cruzeiro, por tudo que o clube fez por mim.

Como foi ser ovacionado pela torcida na estreia do time na temporada?
Um sonho. Para mim é um momento que vai ficar marcado. É uma torcida muito linda, sempre gosto de frisar isso. É uma torcida que dá brilho nos olhos. Então, estar dentro do Mineirão, ouvindo a torcida gritar meu nome, foi muito gratificante. Estou vivendo um sonho.

Ficou sabendo de um suposto interesse do técnico Jorge Sampaoli, enquanto ele negociava com o Atlético?
Vi que saiu uma reportagem sobre isso, mas não chegou nada até mim. Também não tenho interesse em jogar no rival. Sou torcedor do Cruzeiro, cresci aqui, aprendi tudo aqui e, no momento mais difícil da minha vida, o Cruzeiro me abraçou. Então, em nenhum momento eu procurei saber sobre isso (interesse de Sampaoli).

No início do ano passado você foi detido após ser flagrado consumindo maconha. Como foi essa voltar por cima, dentro e fora de campo?
Foi o momento mais difícil da minha vida. Meu pensamento sempre foi manter o foco e a cabeça no lugar, independentemente da situação. Tive a cabeça fria, não me desesperei, e o Cruzeiro me abraçou. Trabalhei dobrado, tive que correr dobrado e mostrar mais. Foi um momento que me entristeceu, mas que me deu mais força para enfrentar 2019. Minha volta por cima foi dentro disso, foi uma força a mais para enfrentar 2019, no momento mais difícil do clube. Fico feliz por ter sido um destaque, porém, triste pelo que aconteceu com o Cruzeiro. No entanto, foi um ano de volta por cima, um ano em que tive que focar mais, perto de pessoas boas que queriam me ajudar. 

Cruzeiro

Uma das pessoas que te apoiou e descartou qualquer possibilidade de te demitir após o episódio foi Itair Machado. Como é sua relação com o ex-dirigente do Cruzeiro?
Não tive nenhum tipo de relação com ele desde sua saída do clube. Nunca fui de ter contato com ele por celular, só pessoalmente. Encontrava com ele, conversava, e ele dava conselhos e falava coisas para me motivar. Ele foi um cara que me abraçou depois desse acontecimento. Sou grato a ele por ter me dado mais uma chance. A vida é feita de oportunidades, e quando você não sabe aproveitar, às vezes pode acontecer o pior, e às vezes pode acontecer como foi comigo, de ter recebido outra oportunidade. Sou grato a ele (Itair), ao Cruzeiro e aos torcedores, que me mandaram mensagens de apoio. 

Que mensagem você pode passar para o torcedor do Cruzeiro, que anda preocupado com o futuro do time?
Queria dizer para o torcedor sempre apoiar, independentemente da situação, sempre aplaudir e dar apoio aos mais novos. Precisamos do apoio de todos, como estão acontecendo nos jogos, confiança e que tenham fé, pois os meninos vão dar conta do recado e, juntos, vamos tirar o clube dessa situação.

O que o Cruzeiro representa para você?
O Cruzeiro representa tudo para mim. É quem cuidou de mim na minha infância e na minha adolescência toda. É como se fosse uma família, uma casa para mim. Se um dia eu sair, vai ser por uma coisa que seja boa para mim e para o clube. Mas se isso acontecer, eu pretendo voltar. Comecei aqui e quero terminar aqui. Quero sair como um dos ídolos, como muitos saíram, e ter meu nome marcado na história do clube