Com a camisa do Atlético, Júnior César fez 71 partidas e conquistou o título mais importante de sua carreira, a Copa Libertadores de 2013. Baixinho, mas atrevido, o lateral-esquerdo que pendurou as chuteiras em 2018 deixou saudades no torcedor e também uma dúvida que, até o momento não tinha sido respondida: por que não seguiu na Cidade do Galo após o ano mais importante da história do clube?

Hoje, aos 37 anos, o ex-jogador dá prioridade à família e aos amigos e, em Magé, interior do Rio de Janeiro, auxilia em projetos e escolinhas, com o intuito de revelar novos talentos para o mercado da bola.

Apesar das passagens por outros gigantes do futebol brasileiro, Júnior César afirma, categoricamente, que o clube que mais acompanha é o Atlético. Abraçado pela Massa, ele se diz apaixonado pelo alvinegro e, mesmo com a frustrante saída, é eternamente grato pela oportunidade de ter conquistado a América com a camisa preta e branca.
Inclusive, agenda visitas a Belo Horizonte e estar mais perto do Atlético em 2020 faz parte dos planos. 

Nesta entrevista ao Hoje em Dia, o ex-lateral fala da emoção de ter levantado o caneco mais importante da América do Sul, em 2013, revela porque não seguiu no Atlético depois daquele ano, fala da relação criada com o torcedor atleticano, comenta sua não utilização no Mundial de Clubes, diz ter se tornado atleticano e mais...

O que você faz atualmente? Foi complicado pendurar as chuteiras?

Eu decidi parar por estar chegando a idade e por umas prioridades familiares, de filho, de esposa... A decisão final foi estar mais perto deles. Joguei a vida toda, com mais de 20 anos de carreira, graças a Deus muito abençoada, de vitórias e conquistas, mas tem hora que esta decisão tem de ser tomada. Estou tendo alguns projetos aqui no Rio de Janeiro.

Como tem sido a sua rotina em Magé?

Então, o futebol está sempre dentro de mim. Aqui em Magé estou envolvido em alguns projetos dentro da cidade, buscando ajudar alguns garotos que sonham em ser jogadores de futebol. Então dou um suporte em algumas escolinhas. É uma rotina totalmente diferente. Estou mais perto da família e dos amigos, coisas que eu não conseguia fazer quando atuava profissionalmente.

Deu aquela boa engordada de quem aposenta?

Não! Graças a Deus não. A minha genética ajuda bastante e eu ainda continuo com o mesmo peso e a mesma fisionomia.

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Você fez parte da equipe do Atlético campeã da Libertadores em 2013 e entrou para a história do clube. O que mais te marcou daquele ano?

Rapaz, eu posso definir este ano de 2013 como o mais glorioso do Atlético. O clube não tinha um título de expressão desde 1971. Graças a Deus conseguimos alcançar o objetivo que era prioridade do clube. Formamos um grupo com jogadores experientes, mesclando com os jovens, e as coisas caminharam de uma forma positiva que nos premiou com esta conquista surpreendente. Todo atleticano mereceu aquela Libertadores. 


A torcida do Atlético me abraçou. É inevitável eu ter um carinho e um amor pelo clube que me proporcionou tudo aquilo’


Você tinha certeza de que o Atlético superaria o Olímpia?

Eu tinha muita confiança até pela forma como vínhamos jogando a Libertadores. Resolvemos várias fases dentro de casa. Embora, se tratando de uma final, mas, anteriormente, a gente já tinha passado por algumas dificuldades semelhantes. Ali eu tinha total confiança na minha equipe e pelo trabalho que a gente vinha fazendo. Sabíamos que era possível sim, principalmente com o apoio da nossa torcida, que foi totalmente o diferencial durante toda a Libertadores. 

Pelo Galo você fez 71 jogos. Gostaria de ter permanecido em 2014? O torcedor até hoje se pergunta por que você não seguiu no clube.

Cara, a minha vontade, o meu desejo, sempre foi estar no Atlético. Até porque o amor que eu tenho pelo clube é muito grande. Foi onde eu tive a oportunidade de conquistar um título que eu perdi no Maracanã, jogando em 2008 pelo Fluminense. Então, o Galo está no meu coração e faz parte da minha vida e da minha família. Naquele momento não dependia só de mim. Eu não tinha motivos para sair. Eu vinha de conquistas. Pessoas da direção do Atlético, como o próprio Cuca, o Kalil e o falecido Maluf, com quem eu formalizei o interesse de ficar, infelizmente resolveram pelo não da minha permanência.

‘ Eu não tinha motivos para sair. Vinha de conquistas. Pessoas da direção, como o próprio Cuca, o Kalil e o falecido Maluf, infelizmente resolveram pelo não da minha permanência’

 


É verdade que foi você quem contou ao grupo do acerto de Cuca com o Shandong? Este foi o motivo da sua saída?

Não! De maneira alguma. Eu costumo dizer que tudo na minha vida aconteceu com transparência. Naquele momento, que a gente estava se preparando para o Mundial, algumas pessoas internamente do clube já sabiam da saída do Cuca. Isso é normal no futebol. Partindo de mim, de forma alguma, até porque eu estava bastante focado. Não cabia a mim, um funcionário do clube, passar uma informação dessa. Com toda transparência e honestidade possível, de maneira alguma isso aconteceu. Isso não tem fundamento algum.

Por que você foi sacado do time no Mundial?

Em relação ao Mundial, que eu não participei efetivamente como titular da posição, foi escolha do Cuca. Ele tinha um pensamento, uma formação para a equipe e eu carrego uma coisa muito comigo, desde o ensinamento dos meus pais: é saber respeitar a vontade dos outros. Embora eu quisesse muito jogar, até por ter atuado o ano todo e participado de forma direita, ele preferiu colocar o Lucas Cândido, que era um menino, muito bom por sinal. Respeitei quem estava acima de mim, embora tenha ficado muito triste, mas faz parte do futebol. 

O vice-campeonato da Libertadores pelo Fluminense, em 2008, foi o mais frustrante da sua carreira?

Com certeza. A maior competição que temos no país é a Libertadores. Como jogador, ter a oportunidade de conquistá-la e não alcançar o objetivo é uma enorme frustração. A campanha do Fluminense parecia muito com a do Atlético em 2013. Foi sim a minha maior frustração, pois perdi dentro de casa e no clube que me revelou.

Faltou a Seleção Brasileira no seu currículo? E jogar num grande clube da Europa?

Sim, sim. Acho que a oportunidade que eu tive, quando meu nome foi cogitado para uma possível convocação, foi na nossa caminhada na Libertadores, em 2008. A minha performance estava muito boa ali. Todo jogador que é convocado, é convocado por aquilo que faz no seu clube. Eu estava num momento muito importante, tendo uma visibilidade muito grande. É frustrante para um atleta que sonha em vestir aquela camisa. E faltou também uma oportunidade na Europa.

Você ainda acompanha o futebol? Qual o clube que mais vê atuar? Pensa em ser empresário, dirigente ou treinador?

Pô, cara. O clube que eu mais acompanho é o Atlético. Virou o clube do meu coração. É o que eu falo com a minha esposa. A partir do momento que eu pisei em Belo Horizonte, os mineiros me abraçaram de uma forma muito incrível. Joguei em São Paulo, no Rio, no México, mas não tive nenhuma recepção tão calorosa. A torcida do Galo me abraçou. Hoje, o maior título que eu tenho, a Libertadores, foi aí. É inevitável não ter um carinho, um amor e um acompanhamento por um clube me proporcionou isso.

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