Campeão por onde passou, Alex Garcia chegou ao Minas para formar a dupla mais pesada do Novo Basquete Brasil (NBB) 2019/2020. Ao lado do amigo e companheiro de Seleção Leandrinho, o ala veio para Belo Horizonte tentar dar ao time da Rua da Bahia seu primeiro título nacional.

Ídolo em Brasília e em Bauru, “Brabo” se notabilizou pelo vigor físico e grande poder na marcação. Melhor jogador do NBB 2014/2015, ele tem média de 17 pontos, seis rebotes e cinco assistências na atual edição da mais importante competição do basquetebol nacional.

Apesar das boas atuações dos dois grandes nomes da equipe, o Minas ainda não embalou como se esperava na temporada. Foram oito vitórias e seis derrotas até o momento, o que, para o experiente jogador de 39 anos, é normal, por se tratar de um início de trabalho.

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Na Seleção, Alex também é dos mais relevantes nomes. Figura tarimbada nas convocações do selecionado tupiniquim há mais de uma década, o ala foi um dos principais destaques da campanha brasileira na Copa do Mundo, realizada na China, em agosto deste ano. Com a camisa verde e amarela, o próximo objetivo é o Pré-Olímpico, que será disputado em junho de 2020, na Croácia.

Como está sendo esse início de jornada aqui no Minas? Depois de passar por tantos clubes na carreira, o que te surpreendeu aqui?

Cara, eu estou gostando bastante. Desde o primeiro dia em que pisei aqui no Minas fiquei surpreendido, gostei muito. Sempre vinha aqui jogar contra, então sabia da estrutura que o clube tem para a gente poder trabalhar. A vontade de jogar aqui sempre foi muito grande. Essa oportunidade aconteceu neste ano com o pedido do Leandrinho. Nossa amizade influenciou bastante nisso. Então, juntou uma coisa com a outra, a estrutura com a amizade que tenho com o Leandrinho. Outra coisa que ajudou foi que eu precisava de uma mudança, já estava há muito tempo no Bauru, queria continuar crescendo como jogador e precisava sair de lá. O Minas foi minha primeira opção, e estou muito feliz aqui até agora. Não só eu, mas minha família também, pois ela usufrui do clube.

E dentro de quadra? Por que você acha que neste início de Novo Basquete Brasil as vitórias não estão vindo como era de se esperar, ainda mais se tratando de um elenco tão pesado quanto o que foi formado?

Acho que faz parte, é parte de um início de trabalho. A gente só vai ganhar esse corpo mesmo durante a temporada, esse entrosamento como time ao longo do tempo. Quanto a algumas derrotas, posso falar tranquilamente que foi erro nosso mesmo, algo que não poderia ter acontecido. Mas por ter vários estrangeiros que não conhecem o basquetebol brasileiro, eles não sabem muito bem quem são os outros jogadores. Só o Tyrone, do nosso grupo, já sabe mais ou menos quem são os caras dos nossos adversários. Por mais que você passe para os estrangeiros que certos jogadores fazem algumas coisas, no jogo é difícil para eles assimilarem isso tudo. Então, isso acaba levando a alguns erros, mas acho que vamos estar muito fortes para o segundo turno, tentando amenizar o mais rapidamente esses problemas que estão acontecendo para buscar as vitórias e chegar bem nos playoffs.

Com toda sua experiência, obtida em várias situações pelas quais passou ao longo dos anos, em quanto tempo você acredita que o rendimento da equipe estará dentro do ideal?

A gente já teve três bons jogos agora em sequência. Estamos tendo boas atuações, mas pecando em detalhes, não sabemos fechar os jogos ainda, mas o time está atuando bem. Só precisamos focar mais nesses finais de jogos, onde estamos nos atrapalhando e, muitas vezes, ocasionando derrotas.

No Mundial disputado neste ano, os bons momentos da Seleção ainda dependeram muito de você, Leandrinho, Varejão e Marquinhos. Como enxerga isso? Há uma falta de renovação no basquete brasileiro?

Cara, a renovação está acontecendo, tem jogadores chegando. A gente tem vários jogadores que poderiam ter uma nova experiência na Seleção Brasileira. Mas numa competição como o Mundial, não podemos experimentar novos atletas. Tem que levar o que tem de melhor, principalmente quando vem um técnico estrangeiro, que conhece mais os jogadores que atuam na seleção normalmente. Aí ele pega um ou outro que é mais novo, como aconteceu com o Didi e o Yago neste ano. A renovação precisa acontecer, mas tem que ser muito bem pensada e com quais jogadores vai ser composta a Seleção, porque se você pegar da nossa geração até os meninos mais jovens como o Yago, jogadores de mais ou menos 30 anos, são poucos os que têm realmente condição de vestir a camisa da Seleção Brasileira. A gente peca por ver um jogador jogando bem no NBB e achar que ele tem que ir para a Seleção. Muitas vezes, esse atleta não tem esse perfil. Não é porque ele está jogando bem no clube, que ele vai ser destacar quando for convocado. Temos muitos jogadores de clube que foram testados em Sul-Americano e Copa América e que não vingaram.

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E quando vocês pararem? Como enxerga o futuro da Seleção?

Temos que ter paciência, saber que quando os mais velhos pararem, vai haver uma falta de experiência dos jogadores. Mas o que vejo é que temos Benite, Raulzinho, Caboclo, Felício e Rafa Luz, que são caras de 27, 28 anos, que serão os veteranos da Seleção. A partir daí, dá para tentar manter essa equipe por muitos anos, para ganhar entrosamento.

O próximo grande objetivo da Seleção é o Pré-Olímpico. Você espera estar lá a fim de lutar por esta vaga para Tóquio? Quais lições o Mundial deixou para este torneio?

Até lá está longe. Temos a temporada inteira do NBB pela frente. Vamos ver se não estaremos muito cansados até o Pré-Olímpico, mas acho que temos chance no grupo que caímos. Se o Brasil for com um elenco forte, temos possibilidades de classificar para Tóquio. No Mundial, ninguém esperava a primeira fase que a gente fez, todos esperavam que a gente tomaria da Grécia, por 50 pontos... Foi o que a gente escutou. E não aconteceu nada disso. Lá na frente, contra a República Tcheca, o que pesou contra nós foi justamente a confiança. O time estava muito confiante pela primeira fase que fez, e acabamos sendo surpreendidos pela equipe deles.

Você chegou a comentar que os técnicos estrangeiros podem conhecer menos os jogadores nacionais. Os últimos dois treinadores da Seleção foram de fora. De que forma analisa isso?

Eu acho bom, porque a gente precisa desse intercâmbio, e esses técnicos de fora trazem uma filosofia de trabalho diferente daquela que a gente está acostumado, e isso acrescenta bastante para a Seleção.

Ganhar o que seria o inédito título do Minas no NBB é talvez seu último grande objetivo por um clube?

O objetivo é esse. Quando eu vim para cá, foi com essa cabeça, com o intuito de ganhar esse título com o Minas. Time para isso a gente tem, é só trabalhar e focar. O campeonato está muito aberto e disputado, então é focar naqueles detalhes, atuar bem o jogo todo, mas saber fechar e ganhar. Na hora que aprendermos isso, vamos ficar muito fortes, e vai ser difícil nos bater.

Alex

*Sob supervisão de Thiago Prata