O belo pôr do sol de fim de tarde em Belo Horizonte reluziu de amarelo os inúmeros espaços cinzas e vazios nas arquibancadas do Mineirão, que, neste sábado (22), foi palco da vitória da Venezuela por 3 a 1 sobre a Bolívia - jogo da terceira rodada do Grupo A da Copa América. Os gols foram marcados por Machis, duas vezes, e Martínez, a favor dos venezuelanos, com Justiniano descontando para os bolivianos. 

O jogo em si não chamou muita atenção, até pela inoperância da "La Verde", que apesar de tentar dar um gás nos minutos finais não conseguiu fazer frente ao escrete da "Vinho Tinto". 

O que chamou mais atenção foram os espaços vazios na arquibancada. Era tanta cadeira disponível que a temperatura gelada da capital mineira só subiu mesmo pela solidariedade, que apesar de 'forçada" impediu que o estádio ficasse quase às moscas. 

Mais de sete mil pessoas entraram de graça e acompanharam a vitória venezuelana, um jogo fraco e que não gerou um grande espetáculo futebolístico.

Dentre os que não pagaram para entrar no Mineirão estavam crianças e jovens de escolas municipais de Belo Horizonte, idosos e um grupo de refugiados da Venezuela, presenteados pela própria empresa que administra o estádio.

Público

O público total registrado na tarde deste sábado foi de 11.746, com pouco mais de quatro mil pessoas pagando ingressos (4.640). Até o moomento, é o pior registro de pagantes em todos os jogos da Copa América 2019.

Segundo dados não oficiais, 1.100 ingressos foram distribuídos pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa América ao Movimento Gentileza. O grupo repassou os bilhetes a crianças de escolas, jovens atendidos por instituições de assistência social e terceiro setor, além de idosos que vivem em Instituições Filantrópicas de Longa Permanência (ILPIs). Os demais ingressos foram distribuídos a convidados da própria organizadora do evento.

Apesar de registrar o pior público da Copa América, a conta não não supera a marca nacional do Cruzeiro. A Raposa registrou, até então, o pior público pagante do Mineirão, no triunfo celeste por 3 a 0 sobre o Vitória, no Brasileirão de 2018, quando pouco mais de duas mil pessoas pagaram ingresso (2.421). 

O jogo

A expectativa de boa parte do público ficou sobre Marcelo Moreno. O atacante da Bolívia, que sempre exalta o carinho pelo Cruzeiro, onde passou e conquistou títulos importantes, não conseguiu balançar as redes. 

Na verdade, Marcelo Moreno ficou bastante isolado no ataque, já que o meio-campo boliviano teve muito trabalho e dificuldade para criar jogadas ofensivas. Faltou muito recurso técnico para a La Verde assustar o adversário. O resultado de 3 a 1 foi justo. O "Vinho Tinto" foi melhor em campo.

O placar poderia ter sido mais elástico, não fosse o preciosismo dos jogadores venezuelanos na área da Bolívia, e as boas defesas do goleiro Lampe durante os 90 minutos.

Marcelo Moreno, para quem os holofotes estavam direcionados, deixou o gramado quando o jogo estava no 2 a 0 - aos 32 minutos do segundo tempo. Nessa hora, o atacante ouviu muitas vaias e alguns aplausos. Antes de sentar no banco, Moreno teve tempo de cerrar os punhos, repetindo um gesto da maior torcida organizada do Cruzeiro. A atitude arrancou aplausos de alguns presentes. 

Por ironia do destino, o único gol boliviano saiu justamente após o camisa 9 ser substituído. Aos 36 minutos, coube ao meio-campista Justiniano marcar o gol de honra da La Verde. 

Com o resultado, a Bolívia se despede sem pontuar na Copa América. A Venezuela garantiu o segundo lugar do Grupo A, que teve o Brasil como o primeiro da chave. 

Leia mais:

Brasil goleia Peru por 5 a 0 e pode voltar ao Mineirão para disputar semifinal