Um passo atrás para dar vários outros a frente. É desta forma que o atacante Judivan encara os seguidos empréstimos que, para ele, são a oportunidade de voltar a jogar em alto nível e, assim, ter nova chance de escrever história vitoriosa com a camisa do Cruzeiro, clube com o qual tem contrato até o fim de 2020.

Aos 24 anos, o paraibano atualmente defende o Tombense na Série C do Campeonato Brasileiro. Antes, vestiu as camisas do América e do CSA, de Alagoas. Criado nas categorias de base da Raposa, surgiu como joia a ser lapidada, mas teve o caminho interrompido após uma entrada temerária de um adversário uruguaio.

Na próxima terça-feira (11), o lance com Maurício Lemos, ocorrido no Mundial sub-20 de 2015, completará quatro anos. Maior pesadelo da vida de Judivan, aquele momento mudou o rumo do atacante e evitou com que ele se transferisse para o futebol inglês.

Nesta entrevista ao Hoje em Dia o pai do pequeno Davi e esposo da Tatiane relembra o momento de drama com a camisa da Seleção Brasileira, revela o sonho de voltar a brilhar com a camisa do Cruzeiro, resgata o gol feito contra o Avaí, em 2017, diz que acompanha todos os jogos da Raposa e muito mais.

Como está sendo a experiência como jogador do Tombense? Trata-se de um município com menos de 10 mil habitantes e, por isso, o contato com a população deve ser intenso...

Está sendo uma experiência muito boa, pois o pessoal me acolheu muito bem, tanto no clube quanto na cidade. E eu venho tendo uma coisa que não tinha há muito tempo, que era uma sequência de jogos e de treinamentos. Estou vivendo uma fase muito boa a qual estou aproveitando ao máximo. O clube me abraçou de uma forma que me deixa muito grato. Só tenho que agradecer por ter me acolhido e de ter me dado a oportunidade de jogar.

Antes de chegar ao Tombense, esteve emprestado também ao América e ao CSA. Acha que conseguiu render o esperado?

Tudo foi uma experiência. No América não tive a sequência que eu esperava, mas foi um período bom da minha carreira, em que aprendi bastante com atletas mais experientes. Tenho um carinho enorme pelo clube. Acho que poderia ter rendido mais, mas, apesar da falta de sequência de jogos, aprendi muito. No CSA eu fiquei muito pouco tempo, foram dois meses e meio. Mas foi muito bom para mim. Tivemos o acesso à Série A, num grupo muito bom. A experiência de jogar uma Série B e subir foi algo que eu vou levar pra minha vida toda.

Quatro anos se passaram depois da entrada forte do jogador Maurício Lemos naquele jogo entre Brasil e Uruguai, pelo Mundial Sub-20. Se não acontecesse a lesão, como você se imaginaria hoje? Acha que teria uma sequência no Cruzeiro ou em outro time da Série A?

Sim, com certeza. Naquela época eu não sei se ainda estaria no Cruzeiro, pois já estávamos com uma negociação bem avançada com um clube da Europa (Chelsea-ING). Estava tudo caminhando. Mas vejo com tranquilidade tudo o que aconteceu. Quero trabalhar bastante para voltar a jogar num bom nível novamente.

Foram seis cirurgias desde a lesão. Acha que já superou os momentos complicados? Considera que o fator psicológico ainda é um obstáculo?

Passei por uma fase muito difícil, na qual fiquei sem jogar por muito tempo, mas hoje já superei tudo isso e procuro olhar apenas para frente. Graças a Deus a minha parte física está 100%, nunca mais senti nada, consegui me empenhar para jogar e treinar normalmente. Não sinto dor. Já o psicológico é algo que sempre trabalhei, desde o período em que estava machucado. Muitas vezes batia o desânimo, mas, apegado à minha família e a Deus, criei pensamentos positivos para entender que tudo passaria.

E o seu filho Davi nasceu em meio a esta turbulência...

Sim, justamente. Mas foi bom que consegui acompanhar de perto o crescimento dele, que hoje tem três anos. Ele nasceu bem na época que eu fiz a cirurgia. Nos dois anos parado, acompanhei junto da minha esposa (Tatiane) as primeiras fases dele. Somos muito apegados, aqui é um grude (risos).

E o Maurício Lemos? Conversou com ele depois daquele 11 de junho de 2015? Existe ainda alguma chateação com o uruguaio?

Sim, ele chegou a me mandar uma mensagem logo que eu voltei e fui relacionado no Cruzeiro. Mandou um vídeo pelo Arrascaeta, dizendo que estava muito feliz. Em relação a ele, só espero que siga a carreira normalmente e que seja muito feliz.

Judivan

O seu contrato com o Cruzeiro termina em dezembro do ano que vem. Acha que ainda fará a alegria da torcida cruzeirense?

Eu trabalho para um dia retornar e retomar a minha história lá. Desde que saí, é um clube que tenho um carinho muito especial, pelo tanto que me ajudou. Querendo ou não, ainda tenho contrato e, com certeza, trabalho pensando nisso; de dar continuidade no meu trabalho lá.

O 15 de novembro de 2017. Você lembra desta data?

Foi o jogo que eu fiz gol contra o Avaí?

Isso! Você entrou no jogo e fez o segundo gol cruzeirense naquela partida em cobrança de pênalti.

Quando teve a falta dentro da área, a torcida gritou o seu nome. Como foi aquele dia para você?

O momento ali é o que tenho guardado até hoje na minha cabeça e é o que eu mais lembro. Foi único e, com certeza, inesquecível. Eu ter voltado a jogar já era uma conquista. Porém, voltar fazendo gol no Mineirão, com o torcedor gritando o meu nome, para mim é algo que guardarei. O carinho do torcedor do Cruzeiro comigo é impressionante. Em todos os lugares que vou, me pedem para voltar. Recebo inúmeras mensagens também. Isso me motiva e me dá forças para poder voltar e dar alegrias aos torcedores.

A perna pesou?

Cara, eu não conseguia pensar em nada, apesar do tanto de coisas que passaram na minha cabeça. Mas eu estava tentando focar só ali. Passou um filme de tudo que vivi; era o fim do sofrimento. Estava minha esposa, meu filho, minha sogra, meus amigos... Todo mundo viu de perto aquele momento. Saímos para comemorar e foi muito bom mesmo.

Você acha que torcedores, dirigente e jornalistas olham para você com dúvidas em relação à sua condição física? Crê que pensam numa possível nova lesão?

Querendo ou não, pelo fato de eu ter tido uma lesão tão grave, é inevitável principalmente quando envolve os torcedores. Eles sabem do histórico e não sabem se vou conseguir jogar e se não vou mais machucar. Nos lugares onde passei, porém, o pessoal sabe da minha real condição e o quanto eu posso render. Os clubes sempre me deram todo suporte e isso me ajudou bastante.

Qual seu maior sonho hoje?

Volta a atuar num altíssimo nível no futebol. Este é o meu maior sonho e minha maior vitória.

Acompanha o Cruzeiro de perto?

Assisto todos os jogos. Sempre! Contra o Fluminense (oitavas de final da Copa do Brasil), inclusive, quase que morro do coração com aquele gol de empate no finalzinho (João Pedro).

Judivan América