Rebaixado na Série C do Brasileirão, o Tupi aproveitou o acontecimento negativo para tentar demonstrar força e criticar, também, aqueles que não dão suporte ao clube. O principal alvo de um editorial publicado no site do time de Juiz de Fora foi o morador da cidade que não dá apoio à equipe.

O Tupi lamentou o pouco espaço dedicado ao time nos jornais, enquanto os clubes do Rio de Janeiro, estado próximo ao município têm maior apoio da mídia.

Confira na íntegra o texto:

O Tupi nunca cai

O Tupi Futebol Clube foi rebaixado, da Série C para a Série D do Campeonato Brasileiro. E não faltarão, como é normal no mundo do futebol, dezenas, centenas, talvez milhares de dedos a apontar os culpados, as razões, as explicações. E como sempre acontece, em muitos casos, tudo irá além do futebol, das nuances de um campeonato brasileiro (que rebaixa, todo ano, quatro times da A para a B, outros quatro da B para a C e o mesmo número da C para a D).

Serão bastante comuns também as críticas de quem nunca foi a um jogo do Tupi – estes (os “torcedores cariocas”, que acham sinceramente que Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco são mais importantes que o Galo, e que o Rio de Janeiro é mais importante que Juiz de Fora) estão dispensados de serem “solidários” com a nossa queda. E estão dispensados também de qualquer lamento os políticos que jamais fizeram algo pelos Carijós, os empresários que jamais sequer pensaram na possibilidade de apoiar o time, os futebolistas que jamais colocaram o pé no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio – enfim, está dispensada de emitir considerações a parte da cidade que, sempre, impôs aos Carijós cem anos de solidão.

Os verdadeiros Carijós – os cerca de 1.700 que sempre rodeiam o clube, desde o milagre de 2006 – estes sim. O choro, a revolta, a bronca, os xingamentos deles são mais importantes que o júbilo pelas conquistas recentes. A eles nem é preciso dizer, sabem todos, que houve sim erros na campanha da Série C (de dirigentes, comissão técnica, jogadores e assessoria de imprensa) – como os acertos se fizeram presentes (de dirigentes, da comissão técnica e dos jogadores) nas recentes conquistas dos títulos de Campeão Brasileiro da Série D (há menos de um ano) e de Campeão do Interior de Minas Gerais (há menos de seis meses).

Estes, os verdadeiros Carijós, sabem que o Tupi Futebol Clube foi rebaixado, mas que o Tupi Futebol Clube nunca cai. Não caiu nas vezes – e foram muitas – em que Santa Terezinha parecia, ao início de cada temporada, cenário de terra arrasada e sem perspectivas. Não cairá muito menos agora: em janeiro começa o Campeonato Mineiro de Futebol (o segundo melhor certame estadual do país) – e o Galo estará nele; Em abril começa a Copa do Brasil (o segundo mais importante certame nacional do país do futebol) – e o Galo estará nele… Enfim, daqui a cem anos se houver um campeonato a disputar, uma bola a chutar, vitórias a perseguir, derrotas a sofrer o Galo estará lá. Quem viveu cem anos de solidão, e sobreviveu, pode muito bem viver outros cem anos sendo campeão num ano, rebaixado no outro, dando alegrias numa temporada e tristezas em outras aos seus torcedores. É futebol, é a vida, é o cotidiano de um time que está destinado a nunca cair.