Toninho Cerezo disputou nove temporadas consecutivas no futebol italiano. Ele defendeu a Roma entre 1983 e 1986, quando se transferiu para a Sampdoria, onde permaneceu até 1992, quando retornou ao Brasil para jogar no São Paulo.

Um dos maiores nomes da história do futebol mineiro, o volante Toninho Cerezo, revelado pelo Atlético, durante praticamente toda a sua passagem pelo futebol italiano, onde defendeu Roma e Sampdoria, sempre teve nos confrontos contra o Napoli a função de marcar Maradona.

Isso aconteceu inclusive no último jogo do craque argentino, justamente contra a Sampdoria. Numa conversa com o Hoje em Dia, Cerezo revela detalhes da sua convivência com Diego Armando Maradona.

O último jogo do Maradona pelo Napoli foi uma goleada de 4 a 1 sofrida para a Sampdoria. Você abriu o placar naquela tarde e marcou o craque argentino, que fez seu último gol com a camisa napolitana. Que lembrança você guarda dos confrontos contra ele?

Você cercava, né. Tirava o espaço. Era melhor ficar assim. Se fosse de primeira, ele passava e abria todo o jogo. Tinha uma visão muito grande e, além disso, finalizava muito bem.

Como era sua relação com o Maradona? Trocavam camisa após os jogos?

Conviveram na Itália? Sim, tenho a camisa dele. Além disso, passamos um Revéillon juntos, na casa do Careca, em Napoli. É uma pessoa fenomenal, fantástica. Adora brasileiro.

Nesta convivência com o Maradona, o que mais te marcou?

Quando a gente ia a Napoli, jogar contra eles pelo Campeonato Italiano, me impressionava os prédios da cidade. Quase todos tinham pinturas dele. Era tratado pela torcida como São Diego. Colocavam até velas embaixo das pinturas. Era realmente uma idolatria, como nunca vi no futebol.

Qual a recordação você tem do primeiro caso de doping do Maradona, anunciado logo após aquela goleada que vocês aplicaram sobre o Napoli? Fiquei chateado. Achava que pela técnica que ele tinha, não precisava disso. Uma pena ter passado por aquele processo.

Ele mudou a história do futebol italiano? Há uma rivalidade muito grande entre norte e sul. E ele transformou o Napoli, que é um time do sul, região mais pobre da Itália, numa potência. Mas é importante ressaltar que aquele time não era só ele, né. Contava com outros grandes craques, como Careca, Alemão, Carnevalli.

Ele foi o maior jogador que você marcou na sua carreira?

Com meus 70 anos, eu classifico futebol por época. Naquela época, sem dúvida, ele era fantástico. Jogava muita bola. Mas tinha ele, Zico, Platini, Cruyff estava parando. Van Basten estava vindo. Todos eram jogadores fenomenais.
 

Dá para comparar Messi com o Maradona?

Todo mundo temo seu tempo, sua época. O Maradona, na dele, era fenomenal. São Diego.