O ex-presidente de Honduras Rafael Callejas saiu do país nesta segunda-feira (14) para se entregar às autoridades dos Estados Unidos, que haviam pedido a sua extradição após ser acusado de aceitar subornos quando era o dirigente máximo do futebol local.

"Esteve presente no processo de migração. Vai se apresentar às autoridades competentes, não estou autorizado a dizer onde", disse à imprensa o ministro das Relações Exteriores de Honduras, Arturo Corrales, depois de Callejas embarcar em um avião privado no aeroporto de Tegucigalpa.

"Callejas tomou sua decisão baseado no que seus advogados hondurenhos e norte-americanos o aconselharam após o estudo dos expedientes e daquilo que o acusam. Foi aconselhado a se apresentar", acrescentou. "Não foi extraditado porque decidiu se apresentar. Teria acontecido, não aconteceu pela apresentação voluntária", disse.

Ele foi presidente da Federação Hondurenha de Futebol entre 2002 e 2015. Alfredo Hawitt, seu sucessor à frente da entidade e que estava no comando da Concacaf, foi detido na Suíça nos início de dezembro, envolvido no mesmo caso.

Callejas é um dos vários dirigentes da Concacaf e da Conmebol acusados de pedir, oferecer e aceitar pagamentos, de lavagem de dinheiro e de subornos ilegais através de paraísos fiscais em crimes relacionados com os direitos de transmissão de campeonatos.

De acordo com o documento de acusação tornado público pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em 2012, com Callejas como presidente e Hawitt como vice-presidente da federação, ambos assinaram contratos com a empresa Media World, que gerenciava os direitos de transmissão televisiva dos jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, 2018 e 2022. Callejas também era membro do comitê de direitos de televisão da Fifa.

A empresa pagou a ambos US$ 1 milhão em subornos, de acordo com os promotores. O dinheiro saía dos Estados Unidos, passava pelo Panamá e chegava às contas em Honduras. Além da recepção ilícita do dinheiro, foram acusados de movê-los ilegalmente fora dos Estados Unidos e de atividade de lavagem.

Eles também são acusados de participarem desde 1991 de um esquema de apropriação indevida de dinheiro em que os líderes concordaram em definir o número e a frequência de comissões que cada um pediria e receberia e como fraudavam bens de propriedade da Fifa.

Callejas foi presidente de Honduras entre 1990 e 1994 e também é dono de várias empresas em seu país. Ele havia expressado várias vezes durante os últimos meses que tinha intenção de concorrer novamente à presidência de Honduras.