Candidato à vice-presidência da CBF na vaga de José Maria Marin, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antônio Carlos Nunes, afirmou em entrevista que não está dando o "golpe" para assumir a entidade. O dirigente tem 77 anos e, caso seja eleito no próximo dia 16, passará a ser o vice mais velho da CBF, evitando que Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense, de 74, assuma o poder. De acordo com o estatuto da CBF, em caso de renúncia de Marco Polo Del Nero o vice mais velho fica na presidência.

Delfim Peixoto afirmou que a sua candidatura é ilegal, imoral e trata-se de um golpe para que ele não assuma a presidência da CBF. Como o senhor recebe esse tipo de crítica?
Sou amigo do Delfim de longa data. Assim como eu, ele também é presidente de federação há muitos anos. Hoje estou em um processo eleitoral semelhante ao que ele participou na chapa anterior como vice do Del Nero. Fui eleitor do Delfim. O processo é o mesmo que acompanhou a eleição passada. Não é ilegal ou imoral, muito menos um golpe. Está dentro do estatuto da CBF. Houve vacância de um cargo que precisa ser preenchido. Ninguém foi tirado do cargo à força, exonerado ou cassado.

Delfim também diz que o senhor só foi escolhido por Del Nero pelo fato de ter 77 anos.
É coincidência eu ser três anos mais velho que o Delfim. Ele fala isso, mas não perdeu o cargo. Continua firme e forte como vice da CBF. Não tem manobra nenhuma. Se encontrassem uma pessoa mais nova do que eu para se candidatar, a eleição ocorreria do mesmo jeito.

Del Nero está sendo investigado pela CPI do Futebol e é acusado pelo FBI de corrupção. O senhor defende a renúncia dele?
Conheço o Marco Polo há muito anos. Acho que ele está sendo injustiçado. É uma pessoa tão correta que pediu licença da presidência da CBF para poder se defender e evitar comentários de que estava usando o cargo para se beneficiar. Marco Polo está fazendo uma grande administração na CBF e não defendo a renúncia.

Como um coronel se sente diante da possibilidade de assumir o cargo de alguém preso?
Sou coronel da Polícia Militar do Pará, mas sou um democrata. Para mim é um honra assumir um cargo que foi do Marin, uma lenda no futebol brasileiro. Sou companheiro do Marin há muito tempo. Desde o tempo em que ele foi presidente da Federação Paulista a gente já se dava muito bem. Não falei com o Marin até porque ele está incomunicável, mas tenho certeza de que no momento em que ele ficar sabendo que serei eleito para ocupar a sua vaga ele vai ficar muito alegre e satisfeito.

Como o senhor recebeu o apoio dos clubes de São Paulo?
Eu me sinto até emocionado. É motivo de muita alegria receber uma notícia como essa. Sinto que a confiança e a credibilidade em torno da minha candidatura são muito grandes.

Como têm sido a conversa e as negociações com os presidentes de clubes e federações?
Desde sexta-feira, quando ficou definido em uma reunião na CBF que eu seria candidato a vice, meus colegas falaram que eu seria o porta-voz deles porque sou um cara que gosta de ouvir as pessoas. Esse apoio é uma confiança tremenda diante da responsabilidade que vou ter de assumir.

O senhor espera ser eleito com quantos votos?
Meu nome já está sendo analisado por todos os segmentos. Se der para ser eleito por unanimidade, será melhor ainda. Hoje há uma união de forças muito grande em torno da minha candidatura.

O que o senhor pretende fazer no comando da CBF?
Meu papel é pacificar a CBF se houver qualquer tipo de distorção. Não vou governar sozinho. As pessoas de bem serão sempre bem vindas. Quero receber projetos, e os melhores serão colocados em prática.

Os clubes pedem mais espaço na CBF. O senhor pretende atendê-los de que forma?
Esse é um caso que vou analisar. Muitas pessoas falam, mas na hora de colocar em prática não colocam. É muito comum o camarada falar, mas quando tem de realizar não sabe como fazer. O pessoal só reclama, mas nunca chegou à mesa do Marco Polo uma proposta.

O senhor aceita que a CBF cuide só da seleção brasileira e que os campeonatos nacionais sejam organizados pelos clubes?
Não dá para dizer de bate-pronto se essa é uma ideia válida ou não. É um caso que muito se comenta, mas que nunca foi aplicado. Precisa ser analisado. Só depois de um estudo poderemos dizer se vai dar certo. Existe alguma confederação no mundo que já faz isso? É uma incógnita muito grande.