Com apenas 15 anos, ele já vestia a camisa do Atlético. No clube em que aprendeu a dar os primeiros chutes, o atacante Cristiano teve apenas uma oportunidade na equipe principal. Doze anos depois de passar pela Cidade do Galo, e de aprender a lidar com o vitiligo – doença cutânea que causa a perda gradativa da pigmentação da pele –, com a qual convive há sete anos , o reserva de luxo da Caldense tenta fazer história na final do Campeonato Mineiro, justamente contra o time em que pretende voltar a defender um dia.

“Esse sonho de voltar a jogar no Atlético não morreu. Espero, quem sabe mais para frente, poder dar alegria a essa torcida”, resume Cristiano, jogador de 27 anos, nascido em Pedro Leopoldo.

Amigo do lateral-direito Marcos Rocha, desde que atuaram juntos na base do Galo, Cristiano guarda boas recordações do convívio com o “Cara de Carranca”, apelido do lateral atleticano.

“Uma vez, quando fomos emprestados ao CRB, de Alagoas, comprei um chaveiro de carranca e dei de presente ao Rocha. Ele quase me bateu, de tanta raiva que ficou”, conta o atacante, em tom de brincadeira.

Na partida válida pela sétima rodada da fase classificatória do Campeonato Mineiro, em Poços de Caldas, Cristiano saiu do banco, aos 26 do segundo tempo. Sete minutos depois estufava as redes de Victor. Após o jogo, ele confirmou o gostinho especial do gol e comentou que sonhava um dia em disputar uma Copa Libertadores pelo Atlético.

A doença de pele

Foi em julho de 2008 que o vitiligo apareceu em Cristiano. Para o jogador, lidar com o preconceito talvez tenha sido seu maior desafio. “As pessoas acham que pegarão a doença se eu encostar nelas”, conta Cristiano. “Sofri muito com isso. Principalmente com torcedores que ficavam me chamando de vários nomes. Mas graças a Deus superei as dificuldades e mesmo com as provocações permaneço tranquilo”, acrescenta.

Tudo mudou quando Cristiano resolveu não se preocupar mais com as transformações que ocorreram na pele. Ele credita à esposa Wanderléia, com quem é casado há três anos, a responsabilidade de hoje ser um cara feliz.

Atualmente, a única preocupação do atacante da Caldense é passar protetor solar, para evitar as dolorosas bolhas.