O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) projeta terminar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro entre os 10 primeiros colocados por número de medalhas. De maneira ambiciosa, a entidade espera que o impulso dos próximos anos sirva para manter o País em posição de destaque além de 2016.

"Temos o exemplo de que a maioria das nações que organizam as Olimpíadas depois acabam caindo. Existe uma preocupação, sim. Os Jogos de 2016 constituem uma chance de mudar esse quadro, e tenho convicção que isso vai ser positivo para 2020 e 2024", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB.

O investimento para os quatro anos de ciclo até o Rio de Janeiro supera R$ 1 bilhão. Para terminar no top 10 por número de pódios em 2016, o COB estima precisar de 27 medalhas em 13 esportes diferentes. Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, divide a preocupação com Carlos Arthur Nuzman.

"Os Jogos de 2016 devem ser o ápice da história do esporte nacional até então e, ao mesmo tempo, o primeiro passo para o futuro. Queremos que os resultados sejam sustentáveis e que o Brasil possa mudar de patamar, que tudo não fique apenas em 2016", afirmou.

Neste contexto, o COB conta com a consultoria da britânica Sue Campbell no programa para as edições de 2020 e 2024 dos Jogos. Ex-presidente da UK Sport, um dos órgãos que dirigem o esporte britânico, ela tem como objetivo auxiliar no desenvolvimento e confirmação de atletas de alto rendimento, permanecendo no Brasil 10 dias a cada três meses."Queremos fazer do País uma potência olímpica e mantê-lo nessa posição. Montamos um grupo dentro do COB pensando na confirmação de talentos. No Brasil, se fala muito da base e do alto rendimento. Há um gap que precisamos resolver. A Sue é genial e vem ajudando muito", disse Marcus Vinícius Freire, diretor executivo de esportes da entidade.

Investir em know-how estrangeiro, por sinal, é costume de Freire, que já recorreu aos conhecimentos do norte-americano Steve Roush e do britânico Clive Woodward. "Não adianta querer inventar. Fui jogador de vôlei, mas minha formação é de economista. É importante você aproveitar a experiência que vem de fora", afirmou.

Parte dos representantes do Brasil nas Olimpíadas de 2020 e 2024 certamente virá dos Jogos da Juventude de Nanquim, marcados para o próximo dia 16 de agosto. Com 97 representantes de 15 a 18 anos, a delegação nacional é superada em quantidade de atletas apenas pela China, dona da casa.