A Polícia Civil de São Paulo indiciou 9 pessoas pelo acidente com o guindaste que tombou em novembro passado, matando dois operários no estádio Itaquerão, a Arena Corinthians, no bairro de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Foram indiciados sete funcionários da Odebrecht, entre encarregados e engenheiros civis da construtora do estádio, e mais dois funcionários da empresa Locar, responsável pela operação do guindaste.

O inquérito será encaminhado para o Ministério Público de São Paulo para apreciação e apresentação ou não de uma denúncia. Se foram condenados, os funcionários estão sujeitos a uma pena que varia de 1 a 3 anos de prisão.

De acordo Luiz Antonio da Cruz, delegado responsável pela investigação e titular do 65.º distrito policial, localizado no bairro de Arthur Alvim, a causa principal do acidente foi a insuficiência da compactação do solo superior, ou seja, não haviam componentes suficientes para sustentar a primeira camada do solo, próxima ao asfalto.

O indiciamento por crime culposo está baseado nos artigos 256 (desabamento) e 258 (morte) e artigo 29 do Código Penal. "O conjunto das provas do inquérito e o trabalho do Instituto de Criminalística apontam a depressão do solo como causa principal", afirmou Luiz Antonio da Cruz.

No dia 27 de novembro do ano passado, o guindaste tombou no momento em que fazia o erguimento da última peça que faltava da cobertura da arquibancada. O tombamento da estrutura de 420 toneladas causou a morte do motorista Fábio Luiz Pereira, de 41 anos, e do montador Ronaldo Oliveira dos Santos, de 43, ambos funcionários terceirizados.

No mês passado, o laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o solo onde o guindaste estava sofreu um afundamento. Segundo o documento, o equipamento não tinha problemas mecânicos e tampouco houve erro do operador.