A cerimônia que marcou o início do repasse aos 853 municípios mineiros, pelo Estado, de R$ 1,5 bilhão em recursos oriundos do acordo da Vale – referente à reparação de danos pelo desastre de Brumadinho –, acabou tornando-se uma espécie de celebração política para o governador Romeu Zema (Novo).

Ao explicar a forma como os recursos serão alocados, a maior parte para obras de mobilidade urbana e serviços públicos, o chefe do Executivo mineiro foi aplaudido com entusiasmo por mais de 500 chefes de Executivo, na solenidade realizada na tarde de ontem (30), no Palácio das Artes. Zema disse que o dinheiro não poderá ser destinado ao pagamento de salários e de despesas correntes das cidades, como gostaria parte dos prefeitos. Destacou também que o repasse do dinheiro é um legado para o Estado, após a tragédia. “Dadas as condições em que o Estado se encontra, o primeiro a reivindicar o uso destes recursos para pagamento de pessoal seria eu, mas não acho justo. A economia mineira foi prejudicada pelo desastre e nada mais justo do que deixarmos um legado para os próximos anos, com o uso do dinheiro em melhorias para a população”, afirmou.

Municípios

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, disse que o impedimento de que prefeitos usem os recursos para o pagamento de pessoal (um dos maiores gargalos das gestões municipais) não é encarado como problema. Para ele, contudo, a verba chega aos municípios em momento difícil, e será usada de acordo com a necessidade de cada cidade. “Nós queremos que os recursos cheguem às cidades para que os prefeitos os apliquem conforme suas realidades” destacou o presidente.

“Dadas as condições em que o Estado se encontra, o primeiro a reivindicar o uso destes recursos para pagamento de pessoal seria eu, mas não acho justo” Romeu Zema - governador de Minas

Ausências

Em meio ao clima de celebração entre governador e prefeitos, uma ausência chamou a atenção: a do presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PV), que tem se destacado por críticas ao governo estadual, e tido como peça crucial na articulação da PEC sobre o acordo da Vale.

Procurado, Patrus, representado na solenidade pelo vice-presidente do Legislativo, Antônio Carlos Arantes (PSDB), não respondeu ao HD, até o fechamento desta edição. Já Arantes derramou-se em elogios à atuação de Zema no processo e disse que. “só quem foi prefeito sabe da importância de recursos extras”. “É a certeza de que tiraremos a poeira do pé do morador de regiões que esperam há anos por uma pavimentação, por exemplo”, afirmou. 

 

Leia também:

 

Recursos do acordo da Vale só não podem pagar salários e despesas correntes nas cidades