Um dia após a votação da reforma administrativa de Belo Horizonte, projeto apresentado pelo prefeito Alexandre Kalil (PHS) para apreciação na Câmara, o clima na Casa era de indignação. Muitos parlamentares questionavam a manobra do líder de governo, Léo Burguês (PSL), que apresentou um novo substitutivo ao texto original enviado pelo Executivo, sem avisar a ninguém.

Com essa mudança, todas as subemendas apresentaras pelos parlamentares ao substitutivo anterior tornaram-se nulas. Isso, porque, de acordo com o regimento interno da Câmara, essas emendas só teriam validade se discutidas ao projeto antes da sua votação em primeiro turno. Como Burguês apresentou um novo texto, alterando um artigo, as novas discussões perdem validade. 

Antes da reunião plenária da tarde dessa segunda (5), o líder de governo pediu, por duas vezes, para que a mesa atrasasse o início da sessão para que pudesse conversar antes com os vereadores e explicar a situação. Muitos parlamentares se exaltaram. 

Quando a sessão foi aberta, a primeira a discursar, vereadora Áurea Carolina (PSOL), disse que a manobra de Burguês “foi um golpe”. “Isso que aconteceu ontem [segunda] foi a demonstração de uma política de golpe, uma política de quebra de acordo. Fomos feitos de trouxas aqui”, disse. 

Na sequência, Burguês explicou a situação dizendo que em nenhum momento traiu ninguém. " O acordo que a gente tinha era que até o dia 22 fossem apresentada emendas ao projeto. O governo acolheu 40% dessas emendas. Aí, são apresentadas mais 100 novas emendas?", questionou burguês. 

Em seguida, o vereador disse que está disposto a discutir novamente o projeto, inclusive com mais emendas. "Nós podemos acertar as emendas que são pertinentes e eu posso retirar o projeto, sem dificuldade", complementou. 

Mesmo assim, vários vereadores ainda consideraram a manobra um golpe. "A base do PT não discute mais projeto com essa liderança de governo. O  vereador [Léo Burguês] não tem que discutir número de emendas. Eram todas emendas importante", disse Pedro Patrus (PT).

O vereador Gabriel Azevedo (PHS) também disse que toda a discussão anterior ”foi por água abaixo”. “Palavra, não precisa de regimento. Confiança é como cristal, depois que é quebrada, não tem mais volta”, complementou. 

A discussão ainda segue em andamento na Casa.

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