ASSUNÇÃO (Paraguai) – Os representantes dos cerca de 6 mil brasiguaios (agricultores e produtores rurais brasileiros que moram no Paraguai) vão apelar às autoridades do Brasil para que aceitem o governo do novo presidente paraguaio, Federico Franco. Inicialmente, os brasiguaios pedirão ao cônsul brasileiro em Ciudad del Este, embaixador Flávio Roberto Bonzanini, que encaminhe o pedido de reconhecimento de Franco à presidenta Dilma Rousseff.

Na segunda-feira (25), um grupo pretende vir a Assunção para ratificar o apelo na Embaixada do Brasil. A ideia dos brasiguaios é mostrar ao governo Dilma que Franco sinalizou que seguirá a determinação da Justiça, permitindo que eles permaneçam em suas terras, e tenham segurança para continuar trabalhando. Os brasiguaios criticam a gestão do ex-presidente Fernando Lugo, acusando-o de falta de apoio.

“Estamos muito preocupados com a posição do Brasil em relação ao novo governo. O presidente Franco disse que vai seguir a lei e garantir a segurança necessária aos cidadãos de origem brasileira que vivem no Paraguai”, disse o presidente da Coordenadoria Agrícola do Paraguai, Héctor Cristalda, que é paraguaio.

No sábado (23) o governo do Brasil emitiu nota levantando dúvidas sobre a legitimidade do processo de impeachment de Lugo. Para o Brasil, o processo dá margem à ruptura da ordem democrática. Em protesto, o embaixador do Brasil no Paraguai, Eduardo Santos, foi chamado a Brasília para prestar esclarecimentos.

Héctor Cristalda disse que o sindicato que preside tem vários integrantes e sócios de origem brasileira. Segundo ele, os brasileiros proprietários de terras no Paraguai sofreram perseguição nos últimos anos e ficaram impedidos de trabalhar. O produtor rural acrescentou ainda que há um receio no campo sobre o aumento da violência, daí o discurso em defesa da paz das autoridades paraguaias e religiosas.

“Há um cenário de violência. Os carperos [sem-terra paraguaios] estão armados e não aceitam como legítimos os locais onde estão os brasileiros. A tensão é imensa”, disse Cristalda. “Queremos dizer que basta de perseguição e que temos de reagir. É preciso cumprir a lei e dar segurança para quem quer trabalhar”, completou.

Os brasiguaios, que vivem na sua maioria da região de fronteira do Brasil com o Paraguai, queixam-se da falta de apoio das autoridades paraguaias. Há entre os brasiguaios grandes, médios e pequenos produtores rurais. Ttodos reclamam das tensões no campo. Eles relatam que são ameaçados por carperos e sofrem discriminação porque não são considerados paraguaios.

Muitos brasiguaios estão no país há mais de duas décadas, casaram com paraguaias e tiveram filhos, que nasceram no território paraguaio. No país, segundo dados recentes, há cerca de 110 mil brasileiros e descendentes. Nem todos estão no campo.

O novo presidente Federico Franco chamou os brasiguaios de “cidadãos paraguaios” e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, também prometeu dar atenção ao tema. No entanto, ele lembrou que a questão agrária no Paraguai é delicada.

Venezuela retira embaixador e suspende envio de petróleo


Também neste domingo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a retirada do embaixador no Paraguai e determinou a suspensão do fornecimento de petróleo ao país, depois do processo de impeachment que retirou do poder o presidente Fernando Lugo.

“Lamentamos muito isso, mas não vamos apoiar esse golpe de Estado nem direta nem indiretamente”, disse Chávez, durante as comemorações dos 191 anos da Batalha de Carabobo e do Dia Nacional do Exército.

O presidente destacou que a destituição de Lugo foi promovida por setores burgueses chamados pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, de facção que não quer dialogar porque tem uma decisão tomada.

O chanceler integrou a missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) que viajou a Assunção em caráter de urgência na tentativa de mediar a crise política no Paraguai. Chávez destacou que a burguesia venezuelana se nega a admitir que o processo contra Lugo é uma ruptura da ordem democrática.

(*) Com Agência Venezuelana de Notícias (AVN)