As novas diligências realizadas pela Polícia Federal (PF) em Minas no âmbito da operação “Lava Jato” foram infrutíferas e não conseguiram levantar indícios de envolvimento do senador Antonio Anastasia (PSDB) com o esquema de corrupção da Petrobras. Ao Hoje em Dia, uma fonte da PF ligada a investigação disse nesta quinta-feira, dia (3), que a tendência é que o inquérito seja arquivado por falta de elementos. Os documentos serão encaminhados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator do processo contra políticos com foro privilegiado. 
 
Com base em depoimento do ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira, o Careca, apontado como colaborador do doleiro Alberto Youssef, os federais mineiros chegaram até duas casas no Belvedere, na zona Sul de Belo Horizonte, onde a quantia de R$ 1 milhão em espécie teria sido entregue. Uma das casas, um sobrado, está localizada na avenida José Maria Alkimim e pertenceria a um ex-servidor da Assembleia Legislativa. 
 
Ainda de acordo com a fonte da PF, existe a suspeita de que esse funcionário teria recebido o dinheiro, mas como ele morreu há três anos dificilmente a investigação vai avançar. Em depoimento, Careca diz ter entregue o recurso para uma pessoa parecida com Anastasia. Youssef, por meio do advogado, declarou não ter mandado o dinheiro para Anastasia. Em outro interrogatório, o ex-policial voltou atrás e ficou calado. 
 
Na sexta-feira passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito. No entanto, como novos elementos foram levantados, a PF em Minas realizou outras diligências a fim de dissipar qualquer dúvida sobre o caso. No pedido de arquivamento, Janot diz que as afirmações de Careca não se confirmaram, mas pondera que as investigações podem prosseguir no futuro. 
 
O material analisado pelos investigadores tem origem em denúncia enviada ao gabinete da Presidência da República por uma pessoa que trabalhou na Secretária de Planejamento de Minas, segundo informação do jornal “O Estado de S. Paulo”. Na denúncia, a autora descreve uma casa na qual o mensageiro do doleiro teria entregue o dinheiro.
 
Em vídeo divulgado na internet, Anastasia disse ter estranhado a abertura de novo inquérito. “Essa referida casa não guarda nenhuma correspondência com casa descrita pelo Jayme (ex-policial Jayme Alves de Oliveira). Não há relação dessa casa com a denúncia. Não posso admitir armação contra a minha pessoa. Já tolerei esses meses todos uma infâmia contra a minha pessoa. Fatos novos não têm amparo. Querem prolongar esse inquérito de maneira artificial e indevida para o meu desgaste. Tenho absoluta e inteira confiança no procurador-geral da República no ministro relator do processo para dar fim a essa tortura a que me submetem com fatos absolutamente inverossímeis”.