O governo estadual lançará, nos próximos dias, um programa em 17 regiões do Estado que dará oportunidade para que jovens carentes transformem-se em empreendedores. Em parceria com universidades federais e estaduais, e a iniciativa privada, o intuito é criar unidades regionais para a oferta de ensino em consonância com medidas que transformem os adolescentes em pequenos empresários. O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, presidente do PT de Belo Horizonte e deputado federal Miguel Corrêa adianta ao Hoje em Dia as linhas gerais de um dos principais programas da atual administração, que será lançado pelo governador Fernando Pimentel (PT) e gerido por sua pasta. Nessa entrevista exclusiva, o secretário também afirma que a condução da pré-candidatura da base governista à Prefeitura de Belo Horizonte ficará a cargo de Pimentel. Miguel é um dos nomes cotados para encampar a disputa pela sucessão do prefeito Marcio Lacerda (PSB).

O que o senhor pretende realizar na Secretaria de Ciência e Tecnologia?
Meu primeiro compromisso é seguir as diretrizes do plano de governo e as diretrizes que o governador aponta como as mais estratégicas e importantes. Estamos muito articulados com o mundo acadêmico de Minas Gerais. Temos uma sólida rede acadêmica, das universidades federais, dos institutos federais e das universidades particulares e estaduais. Este objetivo, de articular soluções e a inovação com esse meio, é um dos eixos da secretaria.

O que os mineiros podem esperar em termos de programas para esta gestão?
É mais importante fazer com que o recurso público seja utilizado e recebido em prol da população da melhor forma possível. Apresentaremos programas inovadores, que permitam o acesso das pessoas com mais facilidade. Entendo que vivemos um novo momento. Um novo momento da sociedade, da expectativa das pessoas.

Algum projeto terá destaque?
Vamos ampliar muito o ensino superior, associado às universidades federais e, sem dúvida nenhuma, às universidades estaduais. Vamos trabalhar com os produtos de inovação, então, com as star-ups, as aceleradoras, incubadoras. Queremos buscar uma aproximação muito grande com o mundo acadêmico, com a produção de excelência corporativa. Então, vamos apostar na produção do jovem comum, que mora em um bairro de periferia, no interior do Estado. Fazer isso dentro do Estado inteiro. Essa não é uma ação só para Belo Horizonte. A secretaria compreende as diversas faces que tem o Estado e montará um programa específico para cada uma das 17 regiões que o governador está apresentando como nova divisão da compreensão do Estado. Vamos apresentar um programa específico para cada uma dessas 17. Então, o jovem que estuda em Diamantina, que está presente no habitat do entorno de Diamantina, terá um programa desenhado específico para ele. 

De educação tecnológica?
De educação tecnológica, de educação superior, de educação técnica e de inovação e cidadania. É um programa que vamos lançar em poucos dias. Ele está com a concepção pronta, com o desenho estrutural pronto, mas, como ainda não passamos pela revisão do governador, estamos próximos de anunciá-lo. É um programa que irá revolucionar, sem dúvida nenhuma, as oportunidades, a expectativa e a motivação que esses jovens terão para participar, se desenvolver e se transformar em empresa, fazendo com que isso movimente e crie uma nova economia no Estado. 

Tem semelhança com o Pronatec?
O Pronatec também terá presença nessas ações. É um programa para o jovem que tem três eixos centrais: cidadania, excelência corporativa e inovação. Estamos construindo um projeto para os jovens em conjunto com as universidades estaduais, federais, inclusive com a participação de algumas particulares, com a sociedade organizada nessa área (tanto aos sindicatos representativos do setor quanto com Fiemg, Sebrae, BDMG, Codemig). É um programa absolutamente inovador para receber e acolher esse jovem e para construir uma alternativa sólida para os jovens empreendedores. Transformá-los em jovens estudantes e empresários empreendedores de sucesso.

Como fazer várias ações de governo em um momento de crise econômica, com arrecadação em queda?
A característica do brasileiro é justamente a criatividade. Temos uma forte crise econômica, momento de escassez de recursos. Assumimos um Estado realmente endividado. Mas buscamos articulação. É esse o papel que cabe aos secretários de Estado. Buscar articulação das políticas públicas à soma dos agentes públicos, transformando isso em um programa que atenda a população. É o grande objetivo. É por isso a grandeza do programa. Porque está muito articulado na sociedade para fazer com que as pessoas tenham acesso e facilidade, mas dentro da construção de um eixo. 

O senhor também é presidente do PT de Belo Horizonte. Como vê o momento político por que passa o país?
Quero apostar muito que esta seja uma fase de grande amadurecimento do poder público, político e da sociedade sobre o poder político. Toda grande crise traz um capítulo novo. Espero muito este capítulo novo. Mesmo já tendo alguma experiência na política, ainda quero representar os sonhos de inovação. Os sonhos de um modelo novo, que é a escola em que me formei. Espero muito o exercício deste próximo capítulo. Acho esta crise um momento muito sólido de amadurecimento da sociedade, que passa a ter voz, crítica. Mas, em todo o momento da sociedade do mundo, quando isso aconteceu, ela se torna mais ácida em um determinado momento. O que é natural, pelo reflexo das coisas que aconteceram, que todos nós entendemos como absurdas. É um momento para que em uma próxima fase tenhamos um melhor arcabouço jurídico, de proteção às políticas públicas e ao bem público, uma melhor cobrança e punição dos erros dos gestores públicos, mas também uma participação mais efetiva da sociedade na política. Esse é o grande ganho. Sou um gestor público, agente político, por consequência, quero estar, a cada dia, mais exposto para as pessoas verem o meu trabalho e acreditarem que têm muitas pessoas de qualidade na vida pública, que podem exercer este trabalho. Temos vários exemplos e vou ficar com o governador de nosso Estado. 

Seu nome é cotado para a disputa pela sucessão do prefeito Marcio Lacerda...
Esse momento, somado à relação que tenho com o governador, e à confiança que ele deposita em mim, como presidente do Partido dos Trabalhadores, só tenho uma posição: vou articular as decisões que o governador acreditar serem as melhores para a capital. Entendo que sou um agente também de influência e debate com ele. Mas, rigorosamente, cumprirei todas as decisões que ele venha a tomar. Meu objetivo agora é ser um dos melhores secretários, apresentar o melhor programa para o Estado na área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. No entanto, como agente público e político, irei participar do processo do ano que vem com naturalidade. Ou dirigindo, como presidente do partido, ou como candidato, ou contribuindo com a campanha da candidatura que o governador escolher. O líder desse processo é o governador.

Como dirigente de partido, o senhor deve participar da composição de alianças. Como está a conversa com o PMDB?
Temos uma aposta sólida em nossa aliança com o PMDB. Diferentemente da aliança nacional, que é sólida mas tem abalos em disputas de ideias, a nossa é sólida. Elegemos um presidente da Assembleia Legislativa do PMDB, com nosso apoio. Temos a compreensão da importância e do poder do partido no Estado e no país e escolhemos o PMDB como nosso aliado estratégico. Então, esse é o primeiro aliado com quem vamos discutir, além daqueles de primeira hora que fizeram a opção de caminhar conosco, como PCdoB, PRB e Pros. Depois disso, vamos discutir com todos os partidos.

O PT abriria mão da cabeça de chapa para o PMDB?
Acho que esta é uma pergunta para o líder do processo no momento adequado, para o governador. O que posso dizer é que, se o governador entender que o melhor ambiente é o PT abrir mão, como presidente do partido, apresentarei as alternativas do partido para ele. Mas como um gestor de política pública e agente político, entendo que é importante respeitarmos as lideranças do processo.