MILÃO - O tribunal de Milão (no norte da Itália) condenou nesta sexta-feira três amigos do ex-primeiro-ministro do país Silvio Berlusconi a três anos de prisão por contratarem prostitutas para suas festas particulares.

O empresário e agente de modelos Lele Mora e o jornalista Emilio Fede foram condenados a sete anos por terem induzido e favorecido a prostituição de garotas, inclusive menores de idade, incluindo Ruby, pivô de um caso pelo qual Berlusconi foi condenado em junho, em primeira instância, a sete anos de prisão.

Já a ex-conselheira regional e espacialista em limpeza dental Nicole Minetti foi condenada a cinco anos pelos mesmos crimes.

Fede e Mora também estão impedidos de ocupar qualquer cargo ou função em escolas e instituições públicas ou privadas ligadas a menores.

A proibição imposta a Minetti de exercer qualquer cargo público foi reduzida a cinco anos, porque ela não esteve diretamente ligada ao recrutamento da jovem marroquina Karima el Mahroug, conhecida como Ruby.

Os advogados dos três condenados anunciaram que vão recorrer da decisão.

"Meu cliente foi tratado como um criminoso, mas ele é só mais uma vítima", declarou o advogado de Fede, que foi durante anos diretor de um canal de notícias da rede de televisão de Berlusconi.

Mora era o único presente no tribunal para a leitura da sentença, enquanto Minetti está de férias na Espanha, de acordo com a imprensa local.

Minetti quebrou seu silêncio nesta semana ao dar uma entrevista para a revista italiana Vanity Fair, na qual se declarou inocente das acusações de lenocínio (crime contra os costumes) e garantiu que estava apaixonada por Berlusconi na época.

"Ela acredita que a pena é dura, mas está satisfeita porque o tribunal reconheceu que não cometeu certos crimes", disse seu advogado.

Segundo o procurador Pietro Forno, Berlusconi promovia verdadeiras "orgias".

Os juízes pediram que a promotoria investigue se Berlusconi, seus advogados e 30 meninas, incluindo várias da América Latina, incorreram em falso testemunho durante o julgamento.

A sentença contra os três acusados foi pronunciada quase um mês depois de outro tribunal de Milão condenar Berlusconi pelo caso Ruby.

O procurador comparou os condenados a "bons degustadores" que selecionavam meninas e que, graças a esse trabalho, obtinham vantagens financeiras de Berlusconi, "pois conheciam todos os seus segredos" sobre suas festas em sua mansão em Arcore.

Segundo os promotores, as jovens que frequentavam Arcore eram "loucas pelo dinheiro, queriam tirar vantagens econômicas e subir na carreira, e estavam dispostas a fazer sexo" para alcançar isso.