As novas regras do programa habitacional “Casa Verde Amarela”, anunciadas pelo governo federal na semana passada, devem garantir um aquecimento nas vendas de apartamentos novos para famílias de renda mais baixa – com valores até R$ 215 mil. Em julho, a comercialização dos chamados apartamentos econômicos representou apenas 26,4% do total de unidades vendidas em BH e Nova Lima.

Segundo a Caixa, as mudanças incluem a diminuição das taxas de juros para famílias com renda familiar até R$ 2 mil mensais (os percentuais ainda não foram divulgados). Isso, mesmo com o viés de alta da Selic – hoje em 5,25% ao ano, a taxa deve passar a mais de 6% nesta semana). Também haverá reajuste de 15% no valor máximo dos imóveis financiados com recursos do FGTS.

Com isso, dois dos principais problemas enfrentados para consolidar a saída desses imóveis devem ser resolvidos: entre os consumidores, soluciona-se a atual incapacidade de contratação dos financiamentos por grupos de renda mais baixa; para as construtoras, torna-se mais atrativo o lançamento de empreendimentos do tipo, ante custos de produção cada vez mais elevados. “Somente este ano, o custo de construção por metro quadrado subiu 15% em Minas. Com isso, as empresas têm encontrado dificuldades para lançar empreendimentos com padrão econômico (até R$215 mil) e acabam migrando para uma faixa superior (padrão Standard). Essas mudanças trazem equilíbrio a uma faixa importante do mercado”, destaca o presidente do Sinduscon-MG, Renato Michel.

Parceria

Outra novidade divulgado pelo governo federal é a estreia de uma modalidade inédita no programa – na qual estados e municípios vão entrar com contrapartida de 20% do valor das moradias, o que pode incluir o terreno. Em troca, o valor de entrada no imóvel próprio para famílias com renda mensal de até R$ 4 mil será reduzido ou zerado. Dez estados já aderiram ao programa “Parcerias”: Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio, Minas, Roraima, Bahia, Ceará, Pernambuco e Alagoas.

Além disso, haverá a ampliação do subsídio para dar entrada no imóvel. O valor médio dos subsídios hoje é de R$ 23 mil, mas passará para R$ 35 mil, a depender da composição familiar. As famílias do Grupo 1, com renda de até R$ 2 mil, contarão com subsídio de até R$ 47,5 mil. 

Para o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais, Silvio Saldanha, esse aumento é fundamental para diminuir o impacto na renda das famílias, principalmente na daquelas que se enquadram na faixa 1: “Para essas pessoas, uma prestação de R$ 600 ultrapassa o limite financeiro e impede a compra. Com o aumento do subsídio, a probabilidade de não consigam recursos diminui”, disse Saldanha.

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