A tímida recuperação econômica, com sequência de indicadores positivos em alguns setores – casos da indústria, do comércio e dos serviços, em Minas –, pode ser comprometida seriamente pela crise institucional e política que reina no país, amplificada, nesta semana, pelas manifestações ocorridas no 7 de Setembro.

Durante eventos pró-governo federal em Brasília e São Paulo, anteontem, o presidente Jair Bolsonaro reiterou duras ameaças ao STF e à democracia. Em contrapartida, representantes dos outros poderes, como os presidentes do STF, Luiz Fux, e do Congresso Nacional, o senador mineiro Rodrigo Pacheco (DEM), rechaçaram os ataques, pregando respeito às instituições democráticas.

No campo econômico, o “dia seguinte” foi marcados por forte instabilidade no mercado. O dólar registrou alta de 2,93% , desde a segunda-feira, e a Bolsa de Valores de São Paulo recuou 3,78%, no mesmo período.

A desestabilização é vista com preocupação. Para Júlia Silper, economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o aumento da fervura política traz ainda mais incertezas sobre uma economia que luta para retomar padrões pré-pandemia. “Esse cenário traz dois elementos perigosos: a fuga de investimentos e a especulação. E isso não é bom para o setor produtivo, que precisa de projeções e certezas para crescer”, destaca ela.

 

“A solução (da crise) não está no autoritarismo, nos arroubos antidemocráticos (...); está na maturidade política dos Poderes” - Rodrigo Pacheco (DEM) - presidente do Senado
 

Efeito cascata

A crise política pode fazer com que a disparada do câmbio e as baixas no mercado de ações se repitam nos próximos dias. Segundo Paulo Casaca, economista do Ibmec, preços de combustíveis e alimentos, em escalada desde o ano passado, também seriam impactados. “O ambiente acaba deteriorando o que já não estava bom. Com o dólar mais alto, há a certeza de que a inflação vai subir ainda mais, forçando alta ainda maior dos juros. É um efeito cascata”, explica.

Já o analista de mercado Rafael Panonko, da Toro Investimentos, teme que a turbulência política impeça a conclusão de votações importantes para a economia, no Congresso. “Isso teria um efeito destrutivo sobre as expectativas do mercado, que continuaria reagindo. Foi assim hoje (ontem) e pode permanecer dessa forma caso os desdobramentos da crise impliquem em paralisia do governo”, afirma.

 

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