Em pleno setembro – mês que historicamente registra o menor movimento de vendas do varejo no 2º semestre –, e ainda em meio à lenta retomada da economia, impactada pela pandemia da Covid-19, a “Semana Brasil”, campanha nacional de liquidações no comércio e nos serviços, que chega à terceira edição, é vista por empresários como boa chance para subir faturamentos e fugir do vermelho.

Idealizada pelo governo federal, a promoção, iniciada na sexta (3) e que vai até o dia 13, foi apelidada de “versão brasileira da Black Friday”. Este ano, a expectativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é de que sejam movimentados R$ 3,34 bilhões em vendas em todo o país. No caso de Minas, segundo a Fecomércio-MG, espera-se 15% de aumento em relação às vendas da edição de 2020. 

Para o economista-chefe da entidade mineira, Guilherme Almeida, a campanha de descontos surgiu com intuito de criar uma “data de apelo” aos consumidores, em um mês que sempre representou baixas vendas. Este ano, diante da crise iniciada em 2020 e que ainda persiste, a Semana Brasil deverá alavancar o varejo. “Isso em um momento em que qualquer incremento no faturamento faz muita diferença para os empresários”.

 

Este ano, a CNC espera que as vendas atinjam R$ 3,34 bi em todo o país; em Minas, aumento do faturamento em relação a 2020 deve chegar a 15%


Descontos

Para atrair clientela, comerciantes preparam liquidações com descontos de até 70%. Segundo Marcelo de Souza e Silva, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da capital (CDL-BH), a iniciativa deve trazer muitos consumidores de volta às lojas físicas, após um longo período de predileção pelas compras on-line. “A retomada ainda está acanhada, primeiro pelo achatamento da renda das pessoas e, depois, pelo receio de irem às lojas. Nesse ponto, fazer com que retornem ao comércio é fundamental, até mesmo para garantir o sucesso dos próximos meses”, enfatiza.


Vendas digitais

Apesar de tal otimismo, vale lembrar que a edição de 2020 da Semana Brasil, segundo a Ebit Nielsen, registrou aumento de 25% nas vendas on-line em comparação à de 2019, e tudo indica que a tendência se repita, este ano. “A conveniência e o conforto do digital devem continuar garantindo mais vendas do que as operações presenciais”, diz Vicente Avelar, diretor da BRMalls, que tem dois shoppings da capital.

 

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