Com a expiração da última extensão do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), ontem, empresas que aderiram à ferramenta encerraram acordos feitos com os trabalhadores para suspensão dos contratos ou redução das jornadas, motivados pela pandemia. Agora, devem garantir estabilidade aos empregados por tempo proporcional ao período de duração das medidas.

Tramita no Congresso uma MP ( 1045/21) sobre o assunto, que possibilitaria nova rodada dos programas, mas ainda sem previsão de aprovação final. O problema é que, ao passar pela Câmara, o texto ganhou penduricalhos que o transformaram numa minirreforma trabalhista, bastante criticada pela oposição.

Enquanto isso, a despeito do recuo dos indicadores da Covid-19 em Minas e no país, cresce, entre setores produtivos, o temor de que a doença apresente uma nova onda, determinando restrições às atividades econômicas. Pesquisa da Fecomércio-MG, divulgada ontem, mostra, por exemplo, que praticamente seis a cada dez (58%) empresários entrevistados temem retrocesso em virtude de uma eventual nova elevação de casos.

“Ainda temos um cenário de incertezas que deixa os empresários com o pé atrás, temerosos em relação ao que virá no curto prazo” 
Guilherme Almeida- economista-chefe da Fecomércio-MG

 


Preservação

Entre abril e junho deste ano, 2,6 milhões de trabalhadores brasileiros foram beneficiados pelo BEm – com um total de 3,2 milhões de acordos firmados com 634 mil empresas. Já no ano passado, os benefícios atingiram (e protegeram) 9,8 milhões de empregos formais.

Somente em Minas, em 2021, foram 321.422 acordos, segundo o governo federal. Comércio e Serviços foram os setores que mais se beneficiaram. A Fecomércio-MG estima que mais de 40% dos empresários desses segmentos adotaram medidas do programa no Estado, sendo que a maioria ( 66,5%) reduziu a carga horária dos empregados. E muitos poderiam querer fazê-lo de novo, se a Covid voltar a recrudescer.

Dependência

Para Guilherme Almeida, economista-chefe da entidade, as incertezas ainda existentes deixam os empresários ansiosos por uma nova rodada do BEm. “Ainda existe o temor de que haja nova onda da Covid, com a expansão da variante Delta. Se isso ocorrer, os empregos só conseguiriam ser mantidos com uma a reedição do BEm”.

Já para o presidente da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg). Flávio Roscoe, o setor deve usar os benefícios do programa somente nas empresas que ainda não estão a pleno vapor. “Já tivemos uma adesão menor em relação a 2020, porque a retomada da indústria está numa crescente. Para aqueles que estão com o uso da capacidade produtiva alto, não há interesse em diminuir a força de trabalho disponível”, afirma Roscoe que acredita que a Indústria mineira deve chegar crescer 7% em 2021.

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