Os sucessivas reajustes nos preços dos combustíveis têm causado uma debandada no mercado de motoristas de transporte de passageiros por aplicativos. Segundo projeções de duas entidades ligadas ao setor – a Frente de Apoio Nacional ao Motorista Autônomo (Fanna) e o Clube dos Motoristas por Aplicativos –, entre 30% e 50% dos cerca de 70 mil profissionais do setor na Grande BH desistiram de atuar na área ou ao menos, buscaram outra fonte de renda para reforçar os ganhos mensais. “Está cada dia mais inviável. Todos os custos subiram e hoje 50% do que se ganha diariamente vai para os combustíveis”, afirma Paulo Xavier, presidente da Fanna, lembrando que o etanol, que no início do ano valia a pena, já não compensa: custa, em média, 75% do valor da gasolina.


À procura de emprego


Com os custos elevados, gente que tinha nos aplicativos a garantia de trabalho, ainda que informal, e renda, passou a tentar outras ocupações. Motorista de APP desde o início do ano passado, o ex-vigilante Fábio Marques, de 42 anos, leva no carro currículos e os entrega aos passageiros em busca de uma recolocação. “Saí de um emprego e abri um bar, que infelizmente fechei no início da pandemia. Logo vi no aplicativo uma saída que se mostrava positiva. Mas agora não dá mais, preciso de um emprego, porque estou pagando para trabalhar”, desabafa Fábio. 

Outra atividade

Já para Alexandre Salustiano, de 51 anos, a solução para aumentar os ganhos veio com a abertura de um delivery de frango assado, atividade que passou a exercer nos fins de semana, aliada ao trabalho de motorista. “Tem 5 anos que trabalho com os aplicativos e estamos no pior momento. Com os preços dos combustíveis só subindo, já não dá mais para viver apenas disso, pois os custos consomem o lucro”, explica o motorista.

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