A nova concepção do uso dos imóveis residenciais – que nesta pandemia passaram a ser também espaços de trabalho –, as baixas taxas de juros e os preços mais atraentes dos imóveis são os principais motivos para o aumento do volume de financiamentos imobiliários com recursos da caderneta de poupança. Em Minas Gerais, o montante chegou a R$ 6,8 milhões nos primeiros seis meses de 2021, 114% acima do liberado pelas instituições financeiras no mesmo período do ano passado – cerca de R$ 3,1 milhões. O percentual alcançado no Estado supera o observado no Brasil, de 112%. Os dados são de levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), divulgado ontem. 

O estudo mostra que os recursos liberados para financiamento tiveram alta no Estado pelo terceiro mês consecutivo. Em junho, o volume acumulou crescimento de 5% em relação a maio. O número de unidades financiadas com recursos da poupança em Minas também registrou alta no primeiro semestre de 2021 em relação à primeira ao ano anterior. Nos primeiros seis meses deste ano, 30.940 imóveis foram financiados, contra 11.599 em 2020 – alta de 166,74%. A quantidade de unidades financiadas também registra alta consecutiva desde abril. Em relação a maio, o número é 31% maior – 2.519 em junho, contra 1.917 no mês anterior.

Conjuntura

Segundo a presidente da Abecip, Cristiane Portella, os consumidores estão buscando os financiamentos motivados pelas taxas de juros mais baixas, mesmo diante da crise econômica e das incertezas causadas pela pandemia de Covid-19. 

“Existe uma conjuntura que alia preços bons e melhores taxas de juros e acaba atraindo as pessoas que querem comprar um imóvel. Quem compra está levando isso muito em conta, motivado mais pelos prazos grandes – 30 anos de financiamento – do que por instabilidade econômica”, analisa Cristiane Portella.

Demanda reprimida

Na opinião de Ariano Cavalcante de Paula, presidente da Netmóveis Brasil, a tomada de financiamentos visando a compra de imóveis deve continuar em alta pelos próximos meses

“Ainda existe uma demanda reprimida que será mais potencializada no próximo semestre e no próximo ano, principalmente com a retomada econômica”, pondera o empresário.

Taxas de juros mais baixas motivam consumidor, apesar das incertezas

Oportunidade não dispensa planejamento familiar

Ter um imóvel que pode ser usado como local de trabalho e com mais espaço para lazer foi a principal motivação para o empresário Thiago Ferreira, de 33 anos, e a esposa, a assistente de processos de sistemas judiciais Tamara Ruhas, 28, trocarem o apartamento de 80 m² no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, por outro com área privativa no mesmo bairro.

“Com a pandemia, passamos mais tempo em casa e vimos a necessidade de ter um espaço para receber amigos, fazer um almoço. Pesquisamos, encontramos o que queríamos e aproveitamos a oportunidade”, revela Thiago.

Já para o jornalista Rafael D’Oliveira, de 26 anos, e a publicitária Laíse Rocha, 27, o casamento batendo à porta foi a deixa para o casal adquirir o primeiro imóvel, um apartamento na região Norte da capital mineira.

“Decidimos pela compra ao vermos que o valor estava subindo rápido demais. Então, aproveitamos as facilidades para pagamento da entrada, fizemos a conta e entendemos que era o momento de fechar a compra”, explica Laíse.

No entanto, é preciso ter mais que olhar voltado para o senso de oportunidade antes de comprar um imóvel. O presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais, Sílvio Saldanha, alerta sobre a importância de um planejamento familiar, de avaliar o potencial de endividamento e pesquisar as linhas de crédito existentes.

“A legislação do crédito imobiliário no Brasil não é permissiva com a inadim-plência. Então, é preciso que o consumidor avalie muito bem as condições financeiras antes de fazer a compra, pois é um compromisso a longo prazo. E, neste tempo, o desemprego ou um problema de saúde podem levar o sonho a se tornar pesadelo”, alerta.

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