Os montantes de produção e de tributos recolhidos pelo setor mineral em todo o país tiveram alta de 98% no 1º semestre de 2021, em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Minas, o faturamento do setor cresceu acima da média nacional, chegando a 122% no 1º semestre deste ano, na comparação com os seis meses iniciais de 2020 – R$ 61,4 bilhões e R$ 27,6 bilhões, respectivamente. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A produção do setor faturou, nacionalmente, nos seis primeiros meses de 2021, R$ 149 bilhões, contra R$ 75,3 bilhões alcançados no mesmo período de 2020. 

Em relação à arrecadação, o setor repassou aos cofres públicos R$ 51,4 bilhões nos primeiros seis meses deste ano e R$ 26 bilhões no equivalente do ano passado. As altas dos preços das commodities no mercado internacional – puxadas pelo câmbio – e da demanda de importantes mercados – como o da China – são apontadas como os principais fatores para essa elevação.

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RESULTADOS ANIMADORES - No país, setor mineral ganha 149 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, contra R$ 75,3 bilhões alcançados no mesmo período de 2020

Repasse aos municípios

Somente no que se refere à Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) – tributo recolhido a título de royalty e repassado aos municípios mineradores – a arrecadação em todo o país subiu 111%, chegando a R$ 4,5 bilhões. No 1º semestre de 2020, o montante foi de R$ 2,1 bilhões. O setor também teve alta na geração de empregos. De dezembro de 2020 a maio de 2021, foram criadas 9.226 vagas diretas. Na comparação com maio de 2020, foram abertas 16.874 novas vagas – aumento de 9%. 

Segundo o diretor-presidente do Ibram, Flávio Penido, o aumento da arrecadação da Cfem pode chegar a R$ 10 bilhões até o fim deste ano – o que representaria elevação de 53% em relação a 2020, quando o repasse foi de R$ 6,5 bilhões.

“Há um ciclo positivo de valorização cambial e dos preços internacionais dos minérios que vai ficar ainda mais intensa no semestre semestre, com a retomada econômica mundial no pós-pandemia”, acredita Flávio Penido.

Novo recorde em Minas

O aumento de arrecadação da Cfem registrado em Minas também superou a média nacional, chegando a 134%. No total de recursos, Minas concentra 43,7% de todos os valores repassados aos municípios – que chegaram a R$ 1,9 bilhão. Dos 10 municípios brasileiros que mais recebem os royalties, sete estão em Minas. Conceição do Mato Dentro – terceira no ranking nacional – é o que mais terá repasses, um total de R$ 319 milhões na primeira metade de 2021.

Em Minas, faturamento do setor cresce acima da média nacional, chegando a 122% no 1º semestre deste ano, R$ 61,4 bilhões 

Investimentos até 2025 devem alcançar US$ 13 bi só em Minas 

Com o mercado internacional aquecido e os preços das commodities em alta – o da tonelada do minério de ferro saltou de US$ 155 em janeiro para US$ 220 ontem –, a perspectiva de investimentos no setor é de manutenção dos patamares estimados antes da pandemia da Covid-19. Segundo o Ibram, US$ 38 bilhões serão investidos pelas mineradoras no país, até 2025. 

Destes recursos, US$ 13 bilhões serão alocados somente em Minas, que concentrará a maior fatia dos aportes, 35% do total. Deste montante, aproximadamente US$ 2 bilhões serão direcionados a ações de descondicionamento das barragens e desenvolvimento de novas tecnologias para a substituição por outros métodos de acomodação dos rejeitos. 

O setor pretende ainda intensificar a pesquisa de novas áreas de exploração. Wilson Brumer, presidente do conselho diretor do Ibram, diz que os maiores focos em Minas estão ligados ao aumento da potencialidade de produção de minério de ferro e nióbio. “Precisamos avançar, as novas tecnologias demandam e vão demandar novos minerais. Por isso temos insistindo na necessidade de investir em um conhecimento geológico mais amplo e detalhado. Temos muito a descobrir em termos de jazidas economicamente viáveis. Apenas 3% do território está adequadamente pesquisado geologicamente”, revela.

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