O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²) do setor de construção civil em Belo Horizonte cresceu 12,39% no primeiro semestre de 2021. Isso representou a maior alta para o período desde 1995, ou seja, em 26 anos, o que reforça a expectativa de repasse desses gastos ao preço final de imóveis novos e lançamentos.

O índice, calculado e divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), aponta que o custo com material continua pressionando fortemente o setor. Só no primeiro semestre do ano, o gasto com insumos atingiu alta de 20,91%.

O aumento supera as elevações observadas no IGP-M/FGV, que registrou alta de 15,08% no primeiro semestre. Tambpem no acumulado de 12 meses, encerrados em junho de 2021, o custo  com materiais de construção teve a maior alta nesse período em 26 anos, elevando-se em 41,20%.

Junho

Só em junho detse ano, o gasto com material cresceu 2,86%. No mesmo período do ano passado, a alta foi de 0,70%. Além disso, diversos insumos apresentaram aumentos expressivos, como é o caso do tubo de ferro galvanizado, cujo preço subiu 13,92%. Só o aço CA-50 10mm aumentou 58,28% no primeiro semestre deste ano. No acumulado de 12 meses, os aumentos são ainda mais significativos: aço CA 50-10mm (132,63%), fio de cobre (124,45%) e tubo de ferro galvanizado (60,33%).

De janeiro a junho, o CUB/m² aumentou 12,39%. Pelo 11º mês consecutivo, o índice apresentou alta de 1,35% em junho. Nos últimos 12 meses, encerrados em junho de 2021, o aumento foi de 20,13%.

O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamentos. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sinduscon-MG, de acordo com a Lei Federal 4.591/64 e com a norma técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Avaliação 

Ainda de acordo com o Sinduscon-MG, apesar dos aumentos dos materiais, diversos fatores sinalizam um ambiente positivo para o crescimento da construção civil em 2021, como o fato de que a demanda do mercado imobiliário continua reagindo favoravelmente.  E ainda agora, mesmo diante da pandemia, as vendas de apartamentos novos seguem crescendo. 

"O crédito imobiliário continua registrando importantes resultados positivos. As taxas de juros para financiamento imobiliário, apesar das últimas elevações da Selic, continuam em patamares baixos. A economia nacional sinaliza melhor desempenho", informa a entidade.

Há, porém, razões para cautela, na medida em que o cenário de aumento dos custos "acentua a dificuldade enfrentada pelas empresas na elaboração dos seus orçamentos e pode comprometer o ciclo de retomada das atividades do setor". 

Isso deve significar, por exemplo,elevação nos preços dos imóveis novos. "O construtor, diante de um cenário com baixo estoque de unidades novas disponíveis para venda, não tem mais como absorver aumentos na proporção que estão acontecendo. Com isso, novos lançamentos imobiliários deverão vir acompanhados com novos preços", conclui o sindicato.