Nos açougues da capital, o produto que tradicionalmente mais puxa as vendas – a carne de boi – está cada vez mais caro e inacessível. Segundo o site de pesquisas Mercado Mineiro, levantamento feito na última semana deste mês em BH aponta que maior reajuste entre os cortes bovinos foi registrado em uma carne considerada de segunda – o acém, que ficou em média 5,79% mais caro (acima de R$ 30, o quilo). 

O preço assustou o eletricista Pedro Silva, de 35 anos, que fazia compras ontem em Contagem, na Grande BH. “Não está dando para comer carne de boi mais, não”, lamentou o cliente, que optou pelo frango como estrela do cardápio da semana.
E<CW-16>m relação a cortes “de primeira”, os reajustes também se aproximaram da inflação registrada nos cinco primeiros meses de 2021 (3,22%). Foi o caso do contra-filé, que subiu 2,46%. Já o aumento da fraldinha ultrapassou, em menos de 30 dias, o custo de vida geral de janeiro a maio: o quilo encareceu 3,36% (passando de R$35,40 para R$36,59). 

Reaquecimento das economias da Europa e dos Estados Unidos amplia vendas de produtos brasileiros no exterior e os torna mais escassos por aqui, o que pode significar novos reajustes nos próximos meses

Dono de um açougue há mais de 15 anos, no bairro Água Branca, na cidade vizinha à capital, Valdeci José de Barros disse que tem sido cada vez mais difícil manter a margem de lucro do negócio. “O nosso carro chefe sempre foi a carne de boi, mas os preços estão muito altos. E a gente tem que tentar repassar o mínimo para os clientes, por conta da concorrência. Mas nem sempre é possível”, lamenta o açougueiro.

Para o consultor financeiro Matheus Machado, os preços das carnes devem continuar em elevação porque estão sendo puxados para cima pelo mercado externo. “O reaquecimento das economias da Europa e dos Estados Unidos aumenta a demanda, tornando a exportação cada vez mais lucrativa. Com menos carne por aqui, os preços vão continuar aumentando”, explicou.

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