Entidades do comércio e dos serviços da capital, capitaneadas pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), voltaram a cobrar, nesta terça-feira (26), em coletiva de imprensa virtual, a retomada imediata, mas de forma cautelosa e com a reforma de alguns protocolos, das atividades econômicas não essenciais na cidade, fechadas desde 11 de janeiro pela prefeitura para conter a pandemia da Covid-19.  

Os empresários fizeram outras reivindicações, como a de ampliação do transporte público municipal - recente redução no número de ônibus em circulação, autorizada pela PBH, estaria causando aglomerações nos pontos e nos próprios veículos.

Também mostraram números da evolução da doença, "comprovando" que o funcionamento dos segmentos que representam não teria relação com o aumento de casos da Covid. Mesmo assim, reiteraram queixas de que foram os mais sacrificados em razão das medidas contra a pandemia, em Belo Horizonte. 

Não à toa, segundo o presidente da CDL-BH, Marcelo Souza e Silva, de 7,5 mil a 10 mil dos 150 mil estabelecimentos de comércios e serviços existentes na cidade em 2019 teriam fechado as portas em 2020, o que representou 100 mil demissões entre 1,5 milhão de trabalhadores dos dois setores.

Leitos

Ainda segundo os empresários, a reabertura na cidade de leitos de CTI e enfermaria, fechados pelo Poder Público em setembro, teria contribuído de maneira significativa para que a crise sanitária saísse do controle neste início de ano. Se voltassem, afirmou Souza e Silva, essas vagas reduziriam significativamente os índices de ocupação hospitalar por pacientes de Covid na capital.

Esse item, aliás, é considerado um dos principais para que o município adote restrições ao comércio, por exemplo (hoje, no caso das UTIs, o percentual está acima de 80%). "Quando houve o primeiro fechamento das atividades nãol essenciais, dez meses atrás, o objetivo da prefeitura era reestruturar a saúde para o que viria a acontecer", destacou o presidente da CDL-BH. 

"Agora, as razões alegadas (para suspender as mesmas atividades) se baseiam nos índices de ocupação de UTI e de enfermaria por pacientes de Covid. Mas a própria prefeitura fechou 175 leitos de UTI e 276 de enfermaria, em setembro. E não houve a reativação desses leitos, mesmo com a PBH sabendo que haveria novo pico em janeiro", completou. 

De acordo com o dirigente, com tais leitos novamente ativos, o comércio e os serviços estariam funcionando conforme critérios estabelecidos pela própria prefeitura. "Teríamos 424 leitos de UTI, contra os 249 atuais, e 1.115 de enfermaria, contra 839", disse.

Falta de diálogo

Os comerciantes e prestadores de serviços também voltaram a acusar a PBH de não dialogar com os segmentos e de não acolher sugestões feitas por eles na condução da crise. "O que propomos é a abertura de forma mais cautelosa, reformando protocolos, observando as modalidades de protocolos que estão acontecendo em várias cidades do país e no mundo", citou Souza e Silva.

"Também pedimos que sejam definidos limites mais restritos nas lojas, e que seja permitido atendimento nas áreas externas. Da mesma maneira, nossa proposta é de que sejam  reforçadas ações e campanhas de conscientização e apoio para população em geral e que haja o fortalecimento da fiscalização orientativa e punitiva, além de criação de um canal direto de informações e denúncias", ressaltou.

Plano Conjunto

As entidades de comércio e serviços capitaneadas pela CDL-BH, que, ao menos por enquanto, disseram confiar na via do diálogo com a prefeitura e descartaram a intenção de judicializar seus pleitos, também defenderam a elaboração, de forma conjunta com o poder público, de um Plano Emergencial de Recuperação Econômica do Comércio da capital. 

Até agora, a PBH acenou com medidas consideradas tímidas pelos empresários, como a prorrogação do prazo para pagamento do IPTU do ano passado - o imposto será dividido em seis parcelas, pagas de dezembro deste ano a maio de 2020 -, eliminação de algumas cobranças e realização de um estudo para reduzir a quantidade de taxas hoje em vigor. 

"Precisamos sentar e conversar com a PBH, que deve ser protagonista nesse plano, até porque não temos conhecimento real das finanças municipais. O mais importante, porém, é que estejamos todos unidos.  Isso inclui as gestões das cidades vizinhas, as demais esferas e entes do poder público e a sociedade civil organizada. Todos buscando ideias e soluções, o mais rápido possível", ressaltou Souza e Silva, que também defendeu com veemência maior empenho das autoridades para ampliar a vacinação contra a Covid na capital e no Estado.