Considerada melhor até que o Natal por alguns comerciantes, a Black Friday, em 2020, em 27 deste mês (última sexta-feira de novembro, como manda a tradição), terá números mais tímidos que os do ano passado na capital, ainda como reflexo dos estragos econômicos da pandemia. 

A injeção de recursos na cidade, graças às promoções, é projetada em R$ 2,01 bilhões, quase R$ 1 milhão a menos que em 2019 (R$ 2,09 bi), segundo pesquisa divulgada ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). O tíquete médio esperado também deve ser inferior: R$ 1.275 por consumidor, ante R$ 1.306 no último “queimão” do gênero. 

Mesmo assim, o cenário é de otimismo, muito em razão de um aguardado crescimento do uso das mídias sociais, para divulgar produtos e conectar-se à clientela, e das vendas on-line pelos comerciantes – tendência reforçada e acelerada durante a crise provocada pela Covid-19. 

Conforme a pesquisa, praticamente todos os lojistas entrevistados (96,8%) disseram que o Instagram será o principal canal de divulgação de mercadorias; 60,3% vão usar o Facebook e 9,5%, o WhatsApp. 
Outros mecanismos de propaganda também foram citados, mas com menor ênfase, como decoração da lojas físicas (5,6%), sites (4,8%), preparação de vitrines (4%), televisão (2,4%), panfletagem (1,6%) e carro de som (0,8%).

Antecipação

Outro sinal de que projeções mais modestas que as de 2019 não são, necessariamente, motivo para desânimo, segundo o presidente em exercício da CDL/BH, José Angelo de Melo, é o fato de que lojistas se anteciparam bastante nos preparativos para a Black Friday. “Já estamos vendo os comerciantes se preparando para a data”, afirma.

Consumidor mais atento: 70% deles, segundo a pesquisa da CDL/BH, prometem acompanhar a variação de preços antes das compras

 

Para se ter uma ideia, a pesquisa, feita entre 9 e 15 de outubro, apontou que quase a metade, ou 48,2% dos empresários entrevistados, já estava se programando para o evento. Apenas 8% ainda não haviam iniciado qualquer planejamento. 

Mais um dado positivo da pesquisa foi de que 54,8% dos consumidores ouvidos afirmaram que pretendem comprar na Black Friday, 9 pontos percentuais a mais que em 2019. Além disso, quatro a cada dez deles disseram que anteciparão, agora, as compras de Natal. 

Loja feminina investe em vendas físicas e até em levar mala de roupas à casa das clientes

Embora não abra mão das vendas on-line, incrementadas durante a pandemia, a empresária Andréa Rigueira, sócia da K9, com oito unidades de moda feminina na capital, aposta alto na presença física de consumidoras para faturar bem na Black Friday. 
“As lojas físicas ainda têm o seu lugar, especialmente no segmento de moda feminina”, diz ela, que já começou o mês com anúncios de “Pré-Black Friday” nas vitrines, prometendo descontos de até 50% em ropupas e acessórios.

“À medida que formos nos aproximando da data, vamos ampliando as ofertas e os descontos”, acrescenta, revelando que alguns itens poderão sair até 70% mais baratos que o normal.

Além disso, Andréa também deve enfatizar um sistema de vendas que iniciou antes mesmo da pandemia, e que tornou-se um sucesso: a mala de roupas. Após entrevista com uma cliente, a K9 entrega em domicílio uma série de produtos escolhidos especialmente para ela, que os experimenta e decide quais quer comprar. “Também faremos isso na Black Friday, entre outras estratégias”, ressalta Andréa.

Incentivo

Para incentivar a integração de comerciantes à Black Friday, a CDL/BH disponibilizou o Clube de Vantagens em Casa, plataforma digital na qual as empresas cadastram produtos e os consumidores podem fazer as compras on-line. “É uma ferramenta que já está ajudando muitas empresas a aumentarem as suas vendas”, pontua o presidente em exercício da entidade, José Angelo.