Junho, fim do primeiro semestre, e julho, início do segundo, mostraram números animadores para a economia nacional, mineira e da capital no restante do ano, apesar de impactos possivelmente ainda significativos da pandemia da Covid-19. O Cadastro Geral de Empregos (Caged) do governo federal, por exemplo, aponta que, no mês passado, o país registrou saldo positivo de 131 mil vagas na balança entre dispensas e contratações. 

O resultado foi considerado o melhor para julho desde 2012, com expansão de 14% nas admissões e queda de 2% nas demissões em relação a junho. No Estado e em BH, os dados também foram positivos: 15.843 novos postos criados a mais, no primeiro, e 1.128, na segunda. 

Um dos principais destaques, sobretudo na capital, foi o setor de construção civil, que parece experimentar um “boom” em meio à crise. Sozinhas, as empresas do segmento responderam, na cidade, pela criação de 2.223 novos postos de trabalho, algo bem perto da metade dos 5.385 gerados em Minas no mês – fazendo do segmento o dono do segundo melhor resultado estadual, atrás apenas da agropecuária, com saldo positivo de 9.819 vagas.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-MG), Geraldo Linhares, a performance foi e tem sido, de fato, surpreendente em Minas e em BH, durante a pandemia. “A construção civil ter sido considerada essencial pelo governador e, com isso, não ter paralisado as obras já iniciadas foram fatores determinantes para continuarmos gerando empregos”, afirma ele. 

“Somos um dos maiores empregadores do país e, agora, carro chefe de postos de trabalho em BH. A indústria da construção puxa a economia e é um dos segmentos vitais para o desenvolvimento socioeconômico do país. Tivemos que nos adaptar neste período, adotamos medidas de seguranças nos canteiros de obras e implementamos as vendas on-line, e fomos realmente surpreendidos com a performance superior ao ano passado”, completa. 

Outro indicador que comprova a boa fase da construção foi obtido em junho: a venda de imóveis residenciais novos na capital e em Nova Lima cresceu 74,43% em comparação com o mês anterior. Foi o segundo maior número de unidades vendidas no ano (219), ficando atrás somente de janeiro, no qual foram comercializadas 402. 

Além disso, segundo dados da Abecip, recursos da poupança para financiar a atividade movimentaram no país, em julho, nada menos que R$ 10,82 bi, com alta de 61,5% em relação ao mesmo mês de 2019 e expansão de 16,7% frente ao mês imediatamente anterior. Foi o maior resultado para julho desde 2013.

“Temos um saldo positivo, com o consumidor aproveitando o bom momento de juros baixos, com a Selic no menor patamar da história e boa oferta de crédito para comprar imóveis”, diz Linhares.