O Sebrae Minas e o BDMG lançaram, ontem, o programa Crédito Assistido, que prevê a capacitação financeira gratuita de milhares de micro e pequenos empresários do Estado. O alvo da iniciativa, em um primeiro momento, são empreendedores que obtiveram empréstimos no banco de desenvolvimento mineiro com garantias do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), para fazer frente a desafios impostos pela pandemia da Covid-19. 

De janeiro a julho, cerca de 4 mil empresas, micro ou de pequeno porte, foram atendidas pelo BDMG com linhas de financiamento. Ao todo, o banco emprestou R$ 400 milhões, sendo R$ 187 milhões avalizados pelo Fampe.

“O Crédito Assistido visa a qualificação técnica dos empresários do segmento, para que tenham acesso a conhecimentos e ferramentas que os ajudem a melhorar a saúde financeira dos seus negócios”, explicou João Cruz Reis Filho, diretor técnico do Sebrae Minas. 

Ele destacou ainda que, nos próximos dias, quem obteve recursos com aval do Fampe na Caixa e no Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) também terá acesso ao programa. O total de empreendedores mineiros atendidos deve chegar a 10 mil.

Combos

O Crédito Assistido é gratuito e a adesão não exige contrapartidas das instituições parceiras. A iniciativa abrange a oferta de combos de capacitação, de acordo com a necessidade de cada empreendimento, incluindo cursos, planilhas gerenciais, e-books e consultorias financeiras personalizadas. 

O início da operação para clientes do BDMG, que serão convidados a participar por e-mail, ocorrerá em 31 de agosto. De acordo com o presidente do banco, Sergio Gusmão, a parceria é mais um passo na atuação anticíclica do banco, diante dos desafios impostos pela pandemia. 

“Mesmo diante de um cenário altamente instável, nós atingimos recordes históricos na oferta de crédito para capital de giro e reduzimos as taxas para ampliar o máximo possível o colchão de liquidez do micro e pequeno empresário. Agora, estamos dando um passo além. A partir da parceria com o Sebrae, vamos oferecer gratuitamente para os nossos clientes cobertos pelo Fampe a possibilidade de fortalecerem seus negócios com orientações especializadas do Sebrae sobre gestão financeira”, afirma Gusmão. 

Fases

O programa será divido em três fases. Na primeira, os empreendedores saberão como aprimorar a gestão financeira. A segunda abrange apenas aqueles que apresentem sinais de inadimplência, identificando motivos da fragilidade. A terceira é aquela a que ninguém quer chegar: a da recuperação da saúde financeira. Nela, haverá orientações sobre reorganização de caixa e, se for o caso, até sobre os passos para um eventual encerramento do negócio.

Planejamento deve incluir controle de caixa e fuga de dívidas

Somente entre junho e julho, segundo levantamento do Sebrae, saltou de 42% para 54% o percentual de pequenos negócios de Minas Gerais que buscaram empréstimos durante a pandemia.

Enquanto isso, o receio de endividamento foi uma das razões apontadas por 21% dos empresários que ainda não haviam buscado crédito. E esse temor mostrava-se mais do que justificável, na medida em que 39% dos donos de pequenos negócios mineiros – ou praticamente quatro a cada dez deles – afirmavam ter dívidas de empréstimos em atraso.

“O Crédito Assistido vai alcançar diretamente os empresários que conseguiram financiamento via Fampe, permitindo que o recurso obtido reverta em melhores resultados para seus negócios”, afirma o diretor técnico do Sebrae Minas, João Cruz.

Apoio

A necessidade de usar da melhor maneira possível o capital obtido para enfrentar a crise – evitando, claro, a inadimplência e a perda do controle das finanças – é o que levará o empresário Marcelo Chaves, de 33 anos, dono da Copiadora e Gráfica Completa, no bairro Barro Preto, em Belo Horizonte, a aderir ao programa de capacitação lançado pelo Sebrae em parceria com o BDMG.

Marcelo conta que conseguiu empréstimo no banco de fomento do Estado em condições especiais, oferecidas com aval do Fampe, depois de bater perna e ir a diversas outras instituições, sem sucesso. 

Com a operação aprovada, ele usou boa parte do dinheiro para pagar indenizações trabalhistas a oito dos 16 funcionários da empresa, demitidos em razão da caída dos negócios após a chegada da pandemia. 

“Financiamos R$ 100 mil com juros baixos, seis meses de carência e pagamento em 24 parcelas, depois de ter tentado algo parecido em vários outros lugares”, afirma ele. “Os recursos foram fundamentais para que pudéssemos sobreviver, principalmente, aos primeiros meses da pandemia, quando o faturamento caiu em torno de 80%”, completa.

Entre junho e julho, como boa parte dos clientes da gráfica foram retomando as atividades, o movimento melhorou. 
O desafio, agora – além de torcer para que os negócios sigam em alta no segundo semestre, confirmando a tendência verificada –, é manter as contas equilibradas, sem “entrar no vermelho”. “Tenho certeza de que, com essa ajuda (o Crédito Assistido), poderemos respirar melhor financeiramente, e sem esticar dívidas”.