Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, na tarde desta quarta-feira (22), o secretário da Fazenda de Minas, Gustavo Barbosa, convidado pelos parlamentares para atualizar e esclarecer a situação das finanças mineiras em meio à pandemia da Covid-19, afirmou que o governo estadual espera quitar, até o final da próxima semana, todos os salários do  funcionalismo.  

"Entendemos que conseguiremos pagar até a semana que vem o resto (segunda parcela) do salário de abril dos servidores, os que já receberam R$ 2 mil (o pessoal da saúde e da  segurança foi pago integralmente, dia 8)", disse Barbosa.

Ele lembrou que, a despeito da enorme baixa prevista na receita para o mês - a queda diária na arrecadação de ICMS tem girado em torno de 30% -, tal meta poderá ser cumprida graças a ao menos dois fatores. Um deles foi o recebimento de precatórios pelo Estado (R$ 781 milhões), algo que não irá se repetir. O outro foi a suspensão temporária do abono de 1/3 de férias para servidores civis e militares, além do adiamento do abono-fardamento para os últimos.

Já em relação ao pagamento do 13º e dos salários de maio e dos meses seguintes, mesmo que de  forma parcelada, afirmou o secretário, a situação é de total imprevisibilidade. "Estamos buscando novas arrecadações, mas até agora não temos nenhuma perspectiva. Não temos, neste momento, uma única receita extraordinária que poderia minimizar a deficiência aguda  de caixa que o Estado tem enfrentado".

A solução para o problema, de acordo com Barbosa, seria a aprovação, pelo Congresso, do substitutivo do PLP 149/19, aprovado na Câmara dos Deputados e que tramita no Senado. O texto,  que modifica itens de um plano de socorro aos entes federativos apresentado originalmente pelo secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida,  prevê recomposição completa da perda de receitas de ICMS e ISS por parte da União, beneficiando estados e municípios, por um período de seis meses.

O governo federal, contudo, tem rechaçado o projeto da forma como foi aprovado pelos deputados. Para a equipe econômica, o PLP 149/19  causaria rombo de mais de R$ 200 bilhões nas contas públicas e seria como dar um "cheque em branco" para que Estados e municípios ampliassem suas dívidas.  

"Nosso principal objetivo é buscar essa recomposição da perda do ICMS. Estivemos com o presidente da  República, com o ministro Paulo Guedes. Eu estive com o deputado Pedro Paulo, relator do projeto na Câmara. Temos feito gestões seguidas para conseguiur fazer com que esse projeto passe para que possamos voltar a uma certa normalidade", ressaltou.