O caminho é longo e ainda há muitos desafios pela frente, mas o mercado de trabalho para pessoas com deficiência dá sinais de evolução em Minas Gerais. As vagas preenchidas por esse público tiveram um aumento de 23% nos primeiros sete meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. Os dados são da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). 

Porém, muitos postos direcionados pelas empresas aos candidatos, conforme prevê a legislação brasileira, ainda ficam ociosos. O principal motivo é a falta de mão de obra qualificada. Outro é a inobservância de normas para acessibilidade. A consta-tação está na pesquisa “Expectativas e percepções sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, realizada pela i.Social, em parceria com Associação Brasileira de Recursos Humanos e a Catho. 

Encontrar trabalhadores aptos para determinadas funções é um desafio para recrutadores. Gerente de recursos humanos da Associação Educativa do Brasil (Soebras), Zenilde Ruas confirma que em muitas entrevistas é comum não aparecerem candidatos com a capacitação desejada. No entanto, ela afirma que a Soebras está em busca constante para ampliar o quadro de funcionários, conforme prevê a lei. Explica também que as empresas do grupo contam com ambientes adaptados e que há vagas para deficientes em diversos níveis hierárquicos.

Atualmente, a legislação brasileira, por meio da Lei das Cotas, estabelece que as empresas destinem de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência. A porcentagem varia de acordo com o total de contratados, chegando ao máximo caso haja mais de mil funcionários na instituição.

Oportunidade

Um bom exemplo de que, na maioria dos casos, as pessoas com deficiência só precisam de uma chance para trabalhar é o do técnico de informática José Humberto de Araújo, de 46 anos. Há 14, ele superou o preconceito e a desconfiança de que era alvo por ser portador de paralisia cerebral, condição que o deixou com dificuldade para falar e limitações dos membros do lado direito do corpo.

Hoje, Araújo é responsável por oferecer assistência no setor de tecnologia das Faculdades Kennedy, em Venda Nova, na capital. “Apesar de eu não ter comprometimento cognitivo, muitas pessoas já duvidaram da minha capacidade para realizar tarefas”, conta. Nascido em Ponte Nova, aos 27 anos ele deixou a Zona da Mata em busca de independência em Belo Horizonte. “A mentalidade lá (em Ponte Nova) era pequena, não tinha oportunidade para mim”, afirma. Segundo ele, isso mudou ao chegar à capital, onde se formou em Administração. Mesmo com os avanços na legislação e nas empresas e as vagas ociosas, a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Teresa Amaral, diz que ainda há preconceito.

De acordo com ela, 30% dos deficientes que procuram emprego no Brasil têm ensino superior. Ainda conforme a representante, muitas pessoas acabam aceitando funções inferiores e salários mais baixos para garantir a vaga de trabalho.

Bom sinal

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