Diante da expectativa de mais cortes na taxa básica de juros da economia (Selic), especialistas em finanças apontam que os títulos públicos pré-fixados do Tesouro Direto se tornaram atraentes para quem busca segurança com rentabilidade superior à da caderneta de poupança. Como estes títulos têm a remuneração definida no momento da compra, não serão afetados pelas reduções futuras da Selic, deixando o investidor “imune” aos cortes de juros.

Dentre os títulos pré-fixados ofertados atualmente pelo Tesouro Direto, a maior rentabilidade projetada é a da Nota do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimento em 2021. Com
rendimento bruto de 11,70% ao ano, que após o Imposto de Renda e taxas será reduzido para um líquido de 9,25% ao ano, o papel promete ganhos superiores aos quase 6% previstos para a caderneta de poupança.

Também ganha do Certificado de Depósito Bancário (CDB) médio dos bancos que, conforme pesquisa da Fundação Ipead, projeta rentabilidade de 8,86% em 12 meses. “Com a pré-fixação, os rendimentos ficam definidos e não mudam. Então, se a Selic cai, essa queda não influencia os juros que já foram contratados. Mas vale ressaltar que, se o investidor vender o título antes do vencimento, ele receberá a taxa que o mercado estiver pagando na época”, aponta o consultor em investimentos Paulo Vieira.

Ainda de acordo com Paulo Vieira, a NTN-F, que paga juros periódicos, tende a ser o título mais procurado em razão da cultura financeira do brasileiro que privilegia os ganhos
imediatos. Para os que apostam na elevação da inflação nos próximos anos, o presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho, indica a aplicação em Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que pagam a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa de juros. Na semana passada, a NTN-B Principal,
com vencimento em 2035, projetava juros de 19,22% ao ano.

“As constantes medidas do governo para aumentar a liquidez do mercado e para estímulo ao consumo, somadas à desvalorização do real frente ao dólar, não vão deixar a inflação cair a níveis significativos neste ano”, pondera Carvalho.

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