A queda na demanda global por aço, o desaquecimento do mercado interno brasileiro e, principalmente, as baixas contábeis (impairments) foram os principais motivos para que a Gerdau registrasse um prejuízo de R$ 3,17 bilhões no quarto trimestre de 2015.

No ano, o prejuízo acumulado foi de R$ 4,5 bilhões, ante um lucro de R$ 1,4 bilhão em 2014.

Os dados constam do relatório de resultados da empresa, divulgado nessa terça (15). De acordo com a companhia, as baixas contábeis, ou seja, a atualização contábil dos valores dos ativos no balanço da empresa, geraram perdas de R$ 4,9 bilhões em 2015, frente a R$ 339 milhões em 2014.

Essas baixas não tem efeito caixa, ou seja, não interferem no desempenho operacional financeiro da empresa. Caso essa variável fosse descartada, o prejuízo líquido teria sido de apenas R$ 41 milhões no quarto trimestre.

O geração de caixa, ou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ) atingiu R$ 911 milhões no último trimestre de 2015. Uma queda de 26,9% na comparação anual.

O balanço deveria ter sido divulgado em 1º de março, mas depois de a Gerdau ter sido citada na operação Zelotes, a data foi adiada.

Investimentos

A empresa informou que na unidade de Ouro Branco (antiga Açominas), em Minas Gerais, não será feito qualquer investimento em 2016. A única ação da será concluir até julho a implantação do projeto de fabricação de chapas grossas, utilizadas comumente em navios.

Nesse ano, os investimentos devem ser de R$ 1,5 bilhão, uma queda de 35% em relação aos valores investidos em 2015, informou a siderúrgica. No ano passado a companhia investiu R$ 2,3 bilhões.

“Nossas prioridades para 2016 seguirão sendo a geração de caixa livre, a restrição de novos investimentos e a redução de custos e da alavancagem financeira, considerando o desafiador cenário global do aço”, afirmou, por meio de nota, o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johanpetter.

Os investimentos da Gerdau já vinham caindo nos últimos anos. No quarto trimestre de 2015, somaram R$ 555,5 milhões, recuando 17,5% em relação ao mesmo período de 2014. Do montante, 43,8% foram destinados ao Brasil, 19,4% para a operação América do Norte, 19,1% para a América do Sul e 17,7% para a unidade de Aços Especiais.