O desaquecimento do setor imobiliário provocado pela recessão econômica no ano passado trouxe perspectivas negativas sobre o comportamento do setor da construção civil em 2016. É o que aponta pesquisa do mercado imobiliário de Belo Horizonte e Nova Lima feita pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas (Sinduscon) e pela Bureau de Inteligência Corporativa (Brain), relativa a dezembro de 2015.

Queda no consumo das famílias, inflação muito superior ao teto da meta e desemprego crescente são os principais motivos levantados pelo estudo para justificar a queda no número de unidades residenciais e comerciais lançadas na capital e em Nova Lima no ano passado, na comparação com 2014.

O lançamento de casas e apartamentos caiu quase 60%. Já no caso dos empreendimentos comerciais, a retração foi de 55%. A pesquisa mapeou cerca de 80% dos lançamentos imobiliários de 244 incorporadoras e construtoras de todas as regiões.

O economista e coordenador do Sinduscon-MG, Daniel Furletti, analisa que o resultado do levantamento reflete a deterioração do momento político e econômico do país. Segundo ele, o setor não espera uma recuperação rápida.

“A recessão deve continuar em 2016. E o que mais preocupa é a queda expressiva da taxa de investimento, que fechou 2015 em 18,2% do PIB. O investimento é essencial para o desenvolvimento da economia. Países em desenvolvimento como a China, a Índia e a Coréia do Sul têm taxas de investimento muito maiores. Na China, por exemplo, é de 45% do PIB”, disse.

De acordo com o estudo do Sinduscon-MG e da Brain, o número de unidades que receberam alvarás de construção caiu de 62,4 mil em 2010 para 16,9 mil no ano passado.

Com a oferta ainda equilibrada em BH e Nova Lima, o momento é oportuno para quem quer comprar um imóvel novo, e possui capital para isso, conforme Furletti. Ele afirma que, se o número de lançamentos continuar a cair, a oferta geral pode apresentar retração ao longo do ano. Com isso, a tendência é que os preços voltem a subir.

“O que está sendo ofertado é o que está no estoque. Isso pode provocar um gargalo na oferta de imóveis. O estoque está em torno de 15% no momento, o que nos leva a crer que as construtoras não vão lançar nada num futuro próximo. Se houver lançamento, será a preços maiores, já que os custos aumentaram”.

CONFIANÇA
O último índice de confiança do empresário da indústria da construção mineira mostrou que o construtor continua pessimista. O indicador de fevereiro atingiu 30,4 pontos. Somente acima de 50 pontos é que se pode falar em otimismo do setor.