Apesar de ficar no positivo, o saldo de empregos com carteira assinada em junho foi o menor para o mês desde 2003 e fechou em 9.746 vagas, segundo divulgado nessa sexta-feira (17) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Para o acumulado dos últimos 12 meses, as notícias são ainda mais preocupantes: mais de 107 mil postos de trabalho foram fechados no Estado. 
 
Somente em junho, a indústria da transformação fechou 6.923 vagas. De acordo com o presidente da Federação do Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado, os números refletem a situação do país, de arrocho. Na avaliação do executivo, a inflação nas alturas impede que o consumidor vá às compras, impactando diretamente o comércio, que reduz os pedidos à indústria. 
 
“É uma bola de neve. E a tendência, caso nada seja feito para reverter o quadro, é piorar. Nosso maior problema são os tributos e encargos, inclusive de mão de obra”, lamenta. A inflação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou o ano em 6,17% e em 8,49% em 12 meses. 
 
As elevações consecutivas da taxa básica de juros – atualmente em 13,75% - também foram classificada por Olavo Machado como crucial para jogar uma pá de cal na produção nacional. Afinal, o crédito caro impede novos investimentos e, consequentemente, não permite que sejam criados outros postos de trabalho, piorando o quadro. Para este ano, a expectativa da Fiemg é a de que haja retração de 6,1% no faturamento e de 4% na produção.
 
Comércio
No comércio, foram encerrados 1.905 postos de trabalho em junho. Segundo o vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marco Antônio Gaspar, pelo menos 20 mil empregos do setor foram fechados desde o início do ano. “Em janeiro, há um maior número de demitidos devido ao fim das festas de ano. Mas a única explicação para este número de junho, que é alto, é a retração econômica”, comenta Gaspar.
 
Proprietário de quatro unidades da papelaria Brasilusa em Belo Horizonte, ele sente na pele os reflexos do recuo na economia. A quantidade de funcionários nas lojas foi reduzida em 20% na comparação com igual período do ano passado, despencando de 34 postos para 28. “Não é possível segurar empregos com este cenário. As pessoas estão inseguras para comprar”, diz o vice-presidente da entidade. 
 
Contramão
A agropecuária foi responsável por não deixar a situação piorar. No mês, foram criadas 26.730 empregos, aumento de 9,23% na comparação com maio. O café, que está em plena colheita, contribuiu para o bom desempenho do setor.
 
 
No Brasil, houve uma redução de 111.199 vagas em junho, o pior resultado para o mês em 23 anos