Além de fazer muito mal à saúde, a dengue também provoca estragos na economia. Do comércio à indústria, da prestação de serviços aos autônomos, o mosquito Aedes aegypti causa prejuízos por onde ataca. Dados da coordenação do Programa Nacional do Controle da Dengue, do Ministério da Saúde, mostram que o paciente perde, em média, seis dias de trabalho. E muitas vezes volta ao batente ainda combalido, sem a mesma capacidade de produzir. 
 
Não há como fazer um cálculo exato de quanto dinheiro é perdido por causa da doença, mas um estudo da Universidade Brandeis, dos Estados Unidos, estima que os custos da dengue para as Américas sejam de R$ 6 bilhões por ano. E 60% dos gastos são referentes à perda de produtividade e ao absenteísmo. 
 
“Todo mundo sai perdendo: patrão, empregado e governo. No caso de um vendedor que completa a renda com comissão, por exemplo, ele deixa de ganhar o extra e compromete o lucro da empresa. Por consequência, o faturamento da empresa diminui e menos impostos vão para os cofres públicos”, diz o professor do MBA em Gestão da Saúde da FGV/Faculdade IBS Alexandre da Silva Ramos. 
 
De acordo com o especialista, empresas com contingente pequeno são as mais prejudicadas. “Não há peças de reposição e quem está lá acaba tendo uma sobrecarga de trabalho. E isso gera custo com o pagamento de horas extras”, diz.
 
Empresários de diversos setores admitem que é difícil estimar os prejuízos, mas sentem na pele os problemas por causa do adoecimento dos funcionários. 
 
“A coisa está feia. É um drama principalmente para pequenas empresas, que têm um quadro com poucos trabalhadores e mais dificuldade para substituir mão de obra”, diz o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Osmani Teixeira de Abreu. 
 
Segundo ele, durante muitos anos a gripe foi a doença que mais afastava trabalhadores das funções. “Tanto que muitas empresas passaram a vacinar os funcionários de graça. Pena que contra a dengue ainda não exista vacina”, lamenta. 
 
arte - afastamento por dengue
 
Ausências exigem improviso em pequenos comércios
 
Dono da papelaria Mix Pel, na Floresta, Adriano Boscatti se surpreendeu com o diagnóstico de dengue em dois dos dez empregados. “O pior é que um deles era caixa e nenhum dos outros funcionários sabia exercer a função, que exige conhecimento específicos”, conta. 
 
Sobrou pra ele, que assumiu a tarefa durante cinco dias. “Fui obrigado a desmarcar compromissos e reuniões de negócios. E isso em um momento em que a economia não está ajudando”, diz ele. O episódio serviu de lição. Boscatti, que perdeu a conta de quantos conhecidos e familiares já ficaram doentes, colocou em treinamento os demais colaboradores.
 
No restaurante de comida mineira Celeiro de Minas, no Barreiro, pelo menos três funcionários foram infectados e ficaram de molho. O bairro é o local com o maior número de casos de dengue confirmados em Belo Horizonte. De 1º de janeiro a 29 de abril, foram 1.000 confirmações. Com 851 e 766 pessoas diagnosticadas com a doença, respectivamente, as regiões Norte e Nordeste também são atingidas pelo surto. Pelo menos duas pessoas perderam a vida na capital, neste ano, vítimas da picada do mosquito Aedes aegypti. 
 
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as ações de combate à dengue fazem parte das ações de vigilância em saúde e contam com recursos do Piso Fixo de Vigilância em Saúde, que é de R$ 1,7 milhão por mês. Cerca de 80% desse total – R$ 1,3 milhão – são destinados a iniciativas de prevenção e controle da dengue. Neste valor não estão incluídos os recursos de assistência ao paciente com a doença. O repasse da verba é realizado mensalmente pelo Ministério da Saúde.