Um mercado milionário, mas muito íntimo, acaba de ser desvendado por pesquisa da UFMG Consultoria Jr, empresa formada por universitários e que funciona dentro do campus. Preferências das belo-horizontinas, frequência de compras e o volume financeiro que elas gastam com lingeries foram pela primeira vez identificados. O resultado mostra ainda que o setor está quente, literalmente.

“Há uma grande expectativa de crescimento do segmento na capital e nas demais cidades brasileiras. Mesmo com o crescimento gradativo da produção do setor durante os últimos anos, as marcas que se encontram em atividade não conseguem atender toda a demanda do país”, diz a gerente de projetos da UFMG Consultoria, Cecy Nascimento.

A partir do estudo, Cecy, aluna da Faculdade de Ciências Econômicas, e as colegas de universidade Débora Rolim e Eloá Aguiar descobriram que a autonomia da mulher impulsiona o crescimento e mudanças no segmento.

“A independência das mulheres de todas as idades foi associada ao aumento da demanda por produtos que atendam desejos femininos cada vez mais independentes. Essa mudança se deve à ascensão da mulher no mercado de trabalho e à consequente melhoria da renda”, comenta Cecy.

Em geral, o primeiro critério que as impulsiona a ir às lojas é a necessidade de reposição das peças. O segundo motivo são ocasiões e eventos sociais. Com mais dinheiro na conta bancária, mulheres da classe A compram mais vezes e em quantidades moderadas. Por mês, o tíquete médio, por peça, chega a R$ 40. Já aquelas com menos limite de crédito no cartão preferem comprar uma quantidade maior de uma só vez, aproveitando descontos e promoções.

A influência da faixa etária também foi um fator observado. Aquelas entre 40 e 50 anos, que se encontram na “Idade da Loba”, são as que mais investem em roupas íntimas. “Mulheres mais velhas compram mais sutiãs e mulheres mais novas, mais calcinhas”, afirma.

Os atributos que as belo-horizontinas destacaram como mais importantes são conforto, palavra-chave para as mineiras, tecido, estilo e cor. A maior parte das mulheres disse escolher a modelagem de acordo com o momento. Para o dia a dia, 90% delas preferem calcinhas confortáveis e 60% detestam calcinha fio dental. Aproximadamente 30% não abrem mão de modelos ousados no guarda-roupa. A pesquisa entrevistou 120 moradoras da capital, entre 15 e 60 anos.

Mercado
O Brasil conta com cerca de 3.500 unidades produtivas de lingeries com porte industrial e a produção de roupas íntimas alcançou 1,5 bilhão de peças em 2012. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que ainda não divulgou os dados fechados do ano passado, em valores de produção, em 2012, foram movimentados US$ 3,6 bilhões em 2012. O consumo per capita é de 7,6 peças por ano.


Empresária aposta no mercado de luxo

A empresária Chris Gontijo sabe bem que, além de atraentes na hora da conquista, as lingeries são um segmento econômico bastante rentável e em ascensão em Belo Horizonte. Depois de alguns anos no mercado, quando vendia outras marcas além da que leva seu nome, ela resolveu investir em um só nicho: o mercado de luxo. “Percebi que faltava requinte com conforto e preço legal. E isso é o que a exigente consumidora mineira quer”, diz a empresária.

Acabamentos de primeira e matérias-primas importadas como seda e renda francesa e cristais swarovski são a alma do negócio. Também não há produção em escala. Cada modelo é reproduzido em cinco ou seis peças, no máximo. Apesar da riqueza de detalhes, há lingerie para todos os bolsos. A peça mais barata custa R$ 28 (calcinha) e a mais cara, R$ 680 (conjunto de hobby e camisola longa com renda francesa). Sutiãs também fazem sucesso, desde que tenham bojo ou push up (bolha por dentro). “Até as mulheres com silicone gostam”, diz.

"Conquistamos crescimentos consideráveis, de 30%, até 50%. No ano passado, o faturamento cresceu em torno de 12%, o que foi muito bom”, diz Chris. São cinco funcionários na fábrica no Caiçara e uma na loja, na Savassi.